sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fumaça no ar

A uma semana da entrada em vigor da lei antifumo em São Paulo, bares e restaurantes da capital e de outras 27 cidades do Estado receberão uma blitz educativa. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, que organiza a ação, 500 agentes da Vigilância Sanitária e do Procon percorrerão os estabelecimentos a partir desta sexta-feira.
Os fiscais vão orientar proprietários e responsáveis pelos estabelecimentos a tomar medidas para adequar os bares e restaurantes à nova lei.
A orientação é que os estabelecimentos removam cinzeiros, eliminem locais que funcionem como "fumódromo" e afixem avisos sobre a proibição em locais visíveis.
Também serão distribuídas cartilhas com explicações sobre a lei antifumo. Os agentes estarão disponíveis para tirar dúvidas de clientes dos estabelecimentos visitados.
A preocupação do governo do Estado com o assunto é tanta que até um site específico foi criado, com uma esclarecedora seção de "Perguntas Frequentes".
Nela, fica-se sabendo que ainda é permitido fumar em casa, ao ar livre e em quartos de hotéis, e que não existe nenhuma punição ao fumante, apenas para os estabelecimentos que permitem a prática.
Também esclarece que a ação da polícia não será ostensiva e ela só será chamada "em último caso".
E quem está preocupado em ver nessa lei traços de autoritarismo explícito e flagrante desrespeito às liberdades individuais, pois, afinal, o cigarro e produtos afins têm venda liberada para maiores de 18 anos, pode ficar tranquilo.
Segundo o site, a lei "apenas restringe o direito de fumar, para que a saúde de quem fuma não seja prejudicada".
Ah, bom. Agora fiquei mais tranquilo. E já estou acreditando que o próximo passo do governador José Serra será liderar uma campanha para proibir a fabricação do cigarro e de bebidas alcoólicas - que fazem tanto mal à saúde quanto o fumo - no Brasil.
Ou será que estou querendo muito?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

São Paulo, uma aventura

Se alguém ainda tem dúvidas do que significa o jeito tucano-pefelista de governar, tome como exemplo a São Paulo desses últimos dias.
O prefeito Gilberto Kassab, sob o pretexto de melhorar as condições do "caos terrestre", baixou normas rígidas para os ônibus fretados, que conduzem, diariamente, cerca de 40 mil pessoas, basicamente de classe média, para seus locais de trabalho.
A operação foi um desastre total. Engravatados e bem-vestidas, de repente jogados em meio ao zé-povinho em estações superlotadas de metrô e mesmo no úmido e frio passeio público, esqueceram por momentos sua inércia habitual para, vejam só, protestar! E justo contra aquele que mereceu o seu voto na última eleição municipal.
Claro que o fracasso retumbante está sendo escondido por estatísticas fajutas e correções apressadas. Mas é evidente também que o chefe do alcaide trapalhão, o governador José Serra, não gostou nem um pouco do que viu - e deve ter ouvido de seus assessores.
Afinal, uma coisa é distribuir maldades para o trabalhador humilde dos confins da imensa periferia paulistana e outra é mexer com uma classe média que vem, há longo tempo, sustentando o desgoverno dessa turma neoliberal.
São Paulo, a jóia da coroa da federação brasileira, é governada pela assim chamada direita faz muitos anos. A capital até que teve dois governos mais à esquerda, de Luiza Erundina e Marta Suplicy. A última deixou como herança a experiência virtuosa dos CEUs, um plano diretor moderno e mudanças profundas no sistema de transporte urbano - avanços que o sucessor têm persistentemente destruído.
Longe de querer dividir o mundo entre bons e maus, mas essa simplificação realmente expressa o que se vê em terras paulista e paulistana.
Andar pelas ruas de São Paulo é uma aventura e tanto. Viver na cidade é outra ainda maior - é uma tarefa que exige boa dose de paciência e muita de temeridade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O zé-povinho

A reação absolutamente irada da mídia sobre o lançamento do Vale-Cultura é de um didatismo exemplar.
Como se sabe, os editoriais, notícias e artigos publicados pelos jornalões são simplesmente o reflexo do pensamento dos setores mais reacionários do país. Portanto, quem teve a desventura de ler as críticas sobre o projeto de lei, ficou sabendo, da maneira mais crua possível, que, por trás de todo esse verniz ideológico cheio de nuances, a direita brasileira quer mesmo que o povo se dane - seu único projeto é voltar ao tempo em que o país se dividia em casa grande e senzala.
Segundo o projeto que cria o Vale-Cultura, por meio de um cartão magnético os trabalhadores poderão adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais.
As empresas que declaram o Imposto de Renda com base no lucro real poderão aderir ao Vale-Cultura e oferecer até R$ 50,00 por funcionário, ao mês, com direito a deduzir até 1% do imposto de renda devido.
Os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos arcarão com, no máximo, 10% do valor (R$ 5,00). Os trabalhadores que ganham mais de cinco salários mínimos poderão receber o Vale-Cultura, desde que garantido o atendimento à totalidade dos empregados que ganham abaixo desse nível. Para esse contingente de salário mais elevado o desconto do trabalhador poderá variar de 20% a 90%.
Estima-se que a iniciativa pode aumentar em até R$ 600 milhões por mês ou R$ 7,2 bilhões por ano o consumo cultural no país.
No Brasil, os números de exclusão da população às práticas, ao consumo e ao direito cultural revelam que apenas 14% da população vai regularmente aos cinemas, 96% não freqüentam museus, 93% nunca foram a uma exposição de arte, e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.
As críticas à iniciativa vão desde à tradicional acusação de que ela não passa de propaganda eleitoral até ao fato de que o trabalhador vai poder escolher o que quer ver, ouvir ou comprar, algo que, para tais escribas, é um total absurdo, quase um crime.
Na cabeça dessas pessoas, o pobre não tem condições de exercer o livre arbítrio e precisa ser guiado por suas mentes iluminadas.
Melhor fariam tais luminares se procurassem melhorar a qualidade de sua própria produção, de maneira geral, paupérrima.
O jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu excelente site Viomundo, provoca o internauta com a pergunta "Por que Serra é o Anti-Lula?"
As respostas a essa questão podem ser muito variadas, mas na essência se resumem a uma única constatação: homens como Serra pertencem ao grupo daqueles que se julgam melhores que os outros e, portanto, não os respeitam.
Serra, por exemplo, nunca lançaria este Vale-Cultura.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Adeus à recessão

Estudos dos maiores bancos privados do país, o Bradesco e o Itaú-Unibanco, concluem que a recessão brasileira terminou em maio. Depois de dois trimestres seguidos de retração, a economia voltou a crescer naquele mês, exatamente no meio do segundo trimestre.
Segundo análise do Bradesco, com dados até maio, o PIB do segundo trimestre já apontava um crescimento de 1,7% em relação ao trimestre anterior. Até abril, os resultados eram negativos.
Os economistas do Itaú-Unibanco detectaram em maio uma alta de 2,3% do PIB em relação a abril, o que também sugere a primeira expansão depois da eclosão da crise econômica global.
Os números indicam que a previsão do governo de crescimento entre 1% e 2% do PIB deste ano, na contramão do Primeiro Mundo, é bastante factível.
Se não houver surpresas, o Brasil será um dos primeiros países do mundo a superar a crise - e, até mesmo, a tirar proveito dela.
Se a notícia é alentadora do ponto de vista econômico, deixa os inimigos do governo Lula de cabelo em pé.
É fato notório que eles comemoraram a chegada da crise em terras brasileiras se não soltando rojões em público, pelo menos bebendo champanhe no aconchego de seus gabinetes.
Pois a enorme popularidade de Lula, diziam os seus críticos, não havia sido construída à custa das condições excepcionalmente favoráveis da economia mundial, com a ajudazinha de uma boa dose de populismo demagógico?
O fato é que o governo respondeu de maneira pronta aos efeitos adversos da deterioração da economia e, em poucos meses, reverteu o jogo.
A análise inicial de que o mercado interno, forte como nunca antes, poderia servir como colchão para amortecer as pancadas mais violentas vindas lá de fora, se mostrou acertada.
Em menos de um ano o país superou aquela que, na opinião de vários dos principais adversários, seria a prova de fogo da capacidade administrativa do governo Lula.
Por muito, mas muito menos, o Brasil de FHC se viu quebrado.
Resta agora à oposição insistir na tática de produzir, com a ajuda da mídia, factóides e mais factóides que ajudem a desestabilizar o governo - e rezar para que algum deles tenha a dose de mal necessária para atingir Lula.
Pode ser que dê certo. Mas que está difícil, está.

sábado, 25 de julho de 2009

Para tudo ficar como está

O que mais irrita nessa campanha da mídia em geral - e do Estadão, em particular - contra José Sarney, não é o fato de que ela tem como alvo o governo Lula. Isso faz parte do jogo político - e hoje, no Brasil, ele tem como atores também os órgãos de comunicação, que odeiam tudo o que possa representar qualquer tipo de melhora nas condições sociais e econômicas da população em geral.
Como se sabe, os principais empresários de comunicação deste país de dimensões continentais pertencem a algumas poucas famílias - os Frias, os Mesquita, os Marinho, os Sirotsky, entre os mais conhecidos. Atingiram o topo quando o Brasil era o campeão da desigualdade, da injustiça social, quando o credo neoliberal vitimava dezenas de milhões de pessoas e reduzia a nação a mera colônia do rico Hemisfério Norte.
Para tais empresários, o Brasil era o melhor país do mundo - e ai de quem ousasse fazer algo para alterar esse quadro.
E agora, voltamos a Sarney, que durante décadas praticou o tipo mais abjeto de política, com a truculência típica do coronel nordestino, e, mesmo assim, jamais foi hostilizado por essa mesma imprensa que hoje o crucifica. Ao contrário, ganhou até espaço para publicar nela artigos com a grife de acadêmico "imortal".
O que Sarney não esperava era que a aliança que fez com o governo Lula pudesse ter consequências tão funestas à sua própria sobrevivência parlamentar e de chefe longevo daquele clã originado no Maranhão.
É, como se diz, a bola da vez.
E tudo em nome de uma ética que não existe. Porque todo esse grandioso, imenso, incomensurável esforço da mídia nada tem a ver com a moralização do Senado ou algo que o valha. A nossa briosa imprensa, que critica vazamentos que expõem seus aliados e usa o mesmos artifícios para atingir seus desafetos, não quer, absolutamente, que o Congresso mude seus hábitos e costumes.
Um Parlamento de homens retos, de cidadãos honestos e de princípios, seria a ruína da imprensa.
Ela é o que é, com toda a sua notável força para destruir reputações, erguer falsos heróis, semear ódios, defender escroques, e até mesmo provocar rupturas na ordem social, justamente por contar com o auxílio de pessoas como o político José Sarney.
Tudo o que se lê, se escuta e se vê hoje nos principais órgãos de informação do país tem como fim manter intacta a "casa de horrores" que é o Congresso Nacional.
Sarney, com seu bigode démodé e cabelos brilhantinados, seus dicursos com cheiro de naftalina, seus parentes de apetite gargantuesco, não passa de uma figura tragicômica perfeitamente descartável neste momento - em prol do bem maior, que é reforçar este ignóbil status quo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O bico dos tucanos

A notícia de que o bico desproporcionalmente grande dos tucanos serve para esfriar seus corpos foi destaque ontem em vários sites informativos da internet.
"O tucano é um bicho que chama a atenção: muito bizarro. Você logo pensa em para que serve aquele baita bico", diz Augusto Abe, biólogo da Unesp de Rio Claro, que descobriu a utilidade, junto com Denis Andrade, também da Unesp, e Glenn Tattersall, da Universidade Brock (Canadá).
O estudo foi publicado na revista "Science". Uma hipótese era que o bico fosse para alimentação. Outra que servisse para atrair parceiros. A função principal, porém,é ser um radiador, assim como a peça que circula água num motor de carro para resfriá-lo.
O bico do tucano tem tudo o que um bom radiador precisa. É grande, o que permite dispersar mais calor, e vascularizado, permitindo que o sangue circule mais.
E como os tucanos são originalmente do cerrado, onde existe uma grande oscilação térmica, precisam ter um bico, ou radiador, bem grande, pois naquela região os dias são quentes e as noites, frias.
Desvendado o mistério, fica em mim uma sensação de desapontamento. É que passei muito tempo pensando que o bico dos tucanos servia para outras coisas...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Projeto de governo

O DEM, esse simpático partido também conhecido por PFL, que tem em seus quadros alguns remanescentes dos bons tempos da Gloriosa, e hoje prega o mais radical ideário neoliberal, entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o sistema de cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB).
Os demos querem que seja declarada a inconstitucionalidade de atos do poder público que resultaram na instituição de cotas raciais na universidade. O partido também pede a suspensão de todos os processos na Justiça envolvendo o tema.
O partido argumenta que a violação aos preceitos fundamentais decorre de determinações impostas pelo poder público. Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de cotas de 20% do total das vagas oferecidas pela universidade a candidatos negros.
A ação também pede que tribunais de todo o país, tanto da Justiça Federal quanto da estadual, suspendam imediatamente todos os processos que envolvam a aplicação do tema cotas raciais para ingresso em universidades, até o julgamento definitivo do processo contra a Universidade de Brasília, "ficando impedidos de proferir qualquer nova decisão que, a qualquer título, garanta o acesso privilegiado de candidato negro em universidade em decorrência da raça".
Pois é. E pensar que a maior cidade do Brasil, uma das maiores do mundo, é governada por um sujeito que pertence a tal partido.
E pensar que esse sujeito é subordinado a um governador - de outro partido - que se preocupa em regular a venda de quentão em quermesses de escolas, de bananas em quilo, e em proibir o fumo em qualquer local.
E pensar que eles têm um "projeto" para "governar" o Brasil.
Não. É melhor não pensar.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Futebol, emoção e razão

Os clubes de futebol do Brasil ensaiam um movimento para conter os salários pagos a jogadores e técnicos. Os números divulgados pela imprensa, diariamente, são impressionantes. É como se o Brasil já fosse uma potência de Primeiro Mundo e não sofresse as consequências da mais grave crise financeira desde o crash da Bolsa de Valores de Nova York em 1929.
Todos sabem que os clubes brasileiros ou estão falidos ou estão à beira da falência. Têm dívidas monstruosas. A Timemania, que poderia aliviar o peso, não decola. A administração continua amadora, quando muito, temerária, na maioria das vezes.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, atual presidente do Palmeiras, tem tentado convencer os colegas de outros clubes a atuar de forma mais responsável, ou seja, aliviando a folha de pagamento, enquadrando as despesas nas receitas. Algo primário, mas que poucos conseguem fazer.
O próprio Palmeiras é vítima desse descontrole. A situação foi herdada por Belluzzo, que procura agora meios de arranjar mais recursos e cortar o máximo dos gastos, enquanto a torcida fanática clama por títulos e por craques.
Esse é o principal problema do futebol brasileiro - talvez de todo o mundo. Os cartolas equilibram-se em uma fina e oscilante corda. São empresários que não vivem de lucros, mas de conquistas. São obrigados a agir conforme a emoção e a deixar de lado a razão. O imediatismo domina as relações profissionais, que, por sua vez, são influenciadas pelo público externo.
O futebol, que é simples no campo, é complicado fora dele.
Belluzzo apontou um caminho. Não é o mais fácil, mas certamente é o mais seguro.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Três destinos

- Não são essas mentiras que vão me abalar. Parece que virei o vilão do Brasil. Sou um cara sangue bom, sou do bem. As pessoas que me conhecem sabem que eu não mudei a minha índole. Nunca tive interesse em lesar ninguém. Não tenho nada a ver com a morte do Michael Jackson, nem fui eu que trouxe a gripe suína para o Rio.
As palavras são de Romário, um dos maiores jogadores de futebol já surgidos no Brasil, que fez o desabafo no lançamento de sua biografia, no Rio. Romário responde a mais de 30 processos judiciais, desde falta de pagamento de pensão judicial até envolvimento em um esquema ilegal de pirâmide financeira. Perguntado sobre as suas dívidas, avaliadas em R$ 7 milhões, ele brincou:
- Se fosse só isso estava bom (risos). É brincadeira. Mas 80% das coisas que as pessoas estão dizendo não é verdade. O que faz parte da Justiça, vai chegar um momento que eu vou ter de pagar. Já o que não for verdade, o tempo irá dizer. Onde tem o Romário, existem estas coisas.
Outro personagem do mundo do futebol, o técnico Vanderlei Luxemburgo, também teve a sua vida particular dissecada pela imprensa nos últimos dias. Segundo a Folha, ele está com todas as suas contas bancárias bloqueadas no Brasil. Como Romário, Luxemburgo coleciona problemas com a Justiça.
Os dois têm em comum, além do fato de dedicarem suas vidas profissionais ao futebol e terem sido bem sucedidos nas carreiras que escolheram, serem de origem humilde, o que para muitas pessoas explica o fato de se darem mal fora do universo da bola. É como se fossem incapazes de fazer outra coisa além de chutar, driblar, treinar, ou se dedicar a atividades meramente físicas - ou com pouquíssimo ingrediente intelectual.
Romário e Luxemburgo fariam parte, então, dessa imensa legião de brasileiros para quem a ascensão social - e econômica -, em vez de ajudar, prejudica, já que eles não conseguiriam lidar com o sucesso. São muitos os que pensam assim: pobre deve continuar pobre o resto da vida, porque se tiver dinheiro não vai saber usá-lo.
Para contrariar quem acha isso surge, porém, outro personagem do mundo da bola, o badalado Kaká, um dos jogadores mais conhecidos em todo o mundo, filho de berço rico, hoje praticamente um europeu, representante da tal elite de olhos azuis destacada um dia pelo presidente Lula.
Pois não é que Kaká, com toda a sua formação de classe média alta, se não está tão enrolado com a Justiça quanto Romário e Luxemburgo, nem por isso deixa de cometer as suas tolices, como doar parte de sua fortuna para a igreja do picareta casal Hernandes, que cumpriu pena nos Estados Unidos por ter tentado levar para o país algumas dezenas de milhares de dólares escondidos numa Bíblia?
E Kaká conta ainda com a ajuda da mulher que, num vídeo constrangedor que circula na internet, diz que parte do dinheiro que o marido vai ganhar do Real Madrid será usado para montar uma filial da tal igreja Renascer na capital espanhola!
Romário, Luxemburgo e Kaká estão aí para provar que o homem é tanto produto do meio em que vive quanto de suas próprias escolhas.

sábado, 18 de julho de 2009

Jornalismo rápido, barato e vagabundo

Um mês depois, a derrubada da exigência do diploma específico para o exercício do jornalismo pelo Supremo Tribunal Federal já traz resultados visíveis à sociedade brasileira. Um deles é, justamente, o aparecimento de mais cursos de jornalismo - não em nível superior, mas essas picaretagens de quinta categoria, que buscam iludir incautos ou outros elementos também chegados na aplicação do 171.
Tudo com as bençãos dos ilustríssimos ministros do Supremo, para os quais jornalismo não é uma profissão que mereça ser regulamentada - segundo os ínclitos juristas, na prática, até mesmo um analfabeto pode dizer que é jornalista.
O advento do Google tornou tudo mais fácil. O interessado, então, com uma simples busca vê o mundo se abrir a ele.
O texto abaixo, por exemplo, é de um tal Cursos 24 Horas.
Nesta época em que a hipocrisia é moeda corrente, aceita em vários círculos da República, ele deve representar a chave do sucesso:

"Curso de Jornalismo On-line
Velocidade, tempo-real, hipertexto, interatividade, convergência de mídias...
Essas são as principais características e tendências do jornalismo na internet que você vai conhecer e dominar no Curso de Jornalismo On-line.
Vai também saber que é possível compatibilizá-las com a redação de um bom texto, correto, atraente, para conquistar a atenção do leitor e tornar-se um Cyber Repórter de sucesso.
E mais:
*Vai perder o medo da tecnologia e conhecer ferramentas úteis para o jornalismo on-line;
* Acompanhando o trabalho de jornalistas bem-sucedidos no mundo, você aprenderá a planejar sua reportagem, organizar suas fontes e agir em situações críticas;
* Também vai aprender a produzir uma publicação digital e a ganhar dinheiro no ramo de Jornalismo On-line;
Com o apoio de professores, com exemplos práticos e exercícios, este é um curso ideal tanto para quem quer completar sua formação de Jornalismo, como para quem ainda não se decidiu pela carreira e quer conhecer melhor esta profissão tão promissora.
Os principais tópicos do curso de Jornalismo On-Line são:
Introdução
Real Time
O Jornalismo na Era Digital
O Jornalista On Line
Sites úteis
Criando uma agenda de Fontes
Criando uma agenda de Pautas
Listas de Debates
Ferramentas úteis da Tecnologia
Utilizando a tecnologia ao seu favor
Produzindo uma Publicação Digital
O Planejamento
O Design
Hipertexto
Multimídia
Interatividade
O E-mail
Dicas para uma boa publicação digital
Classificados On Line
Ganhando dinheiro no ramo de Jornalismo On-Line
O Fim do Jornal Impresso?
Conclusão

Valor do curso completo:
R$ 40,00
SEM MENSALIDADES
Pré-Requisitos: Nenhum
Carga Horária: 45 horas

Os candidatos são informados que o "Cursos 24 Horas é um centro de educação a distância que busca o aprendizado de seus alunos por meio de cursos pela internet. O aluno baixa as apostilas, recebe o auxílio do professor e faz as avaliações no próprio site. No final, recebe o certificado em casa".
Também é interessante ao candidato a jornalista saber que, se por um desses azares da vida, descobrir que a sua vocação é outra, ele dispõe de mais alternativas - de igual ou maior importância -, tais como: Administração Contábil e Financeira, Administração do Tempo, Aprenda a Falar em Público, Chefia e Liderança, Departamento Pessoal, Educação Ambiental, Educação Infantil, Escrita e Redação, Fotografia Digital, Flash, Gestão Pública, Linux, Marketing Pessoal, Memorização e Leitura Dinâmica, Negociação, Noções Gerais de Direito, Photoshop, Power Point 2007, Propaganda e Marketing, Reciclagem e Energias Renováveis, Recolocação Profissional, Recrutamento e Seleção, Redes, Segurança do Trabalho, Segurança na Internet, Sucesso Profissional, TeleMarketing, Webmaster (aprenda a fazer um site),
Word e Excel.
Bom proveito!