domingo, 7 de fevereiro de 2016

Festa no Interior

Volta à adolescência

A moça do caixa do supermercado pergunta se quero a nota fiscal paulista. Respondo que sim, digo o meu CPF, e ela, ao notar que a minha compra era uma cerveja e um vinho pede um documento com a minha identidade. 

Sinto-me entre ridículo e lisonjeado: ridículo por recordar meus tempos de adolescente, quando tinha de falsificar a caderneta escolar para ver "A Primeira Noite de um Homem", e lisonjeado por ela suspeitar que, por trás de meus 62 anos, minha calvície e minha barba quase toda branca, estava aquele moleque magricela que vomitou as tripas em seu quarto depois de tomar sei lá quantos copos de um garrafão de vinho com os amigos, também frangotes de 14, 15 anos, na Cantina Jundiaiense.

Mais tarde cai a ficha: a moça estava apenas cumprindo uma ordem ridícula de um gerente preocupado em cumprir a lei - uma lei que alguns cumprem apenas no Carnaval.


Teje preso

Cedo, lá pelas 9h30, na entrada da cidade, duas viaturas, uma da Polícia Militar e outra da Guarda Municipal, trabalhavam naquilo comumente chamado de "blitz", uma operação para averiguar os documentos de motoristas e dos veículos. Um dos guardinhas, o mais gordo de todos, visivelmente fora de qualquer condição física, empunhava uma carabina. Os outros se contentavam em ficar com uma das mãos no coldre do revólver  - ou pistola - como numa cena de duelo de filme de faroeste.

À tarde, lá pelas 17 horas, na rua principal completamente lotada de carros e pessoas, PMs e guardas municipais abordavam alguns adolescentes - os obrigavam a pôr as mãos atrás da cabeça e a ficar encostados na parede, e os revistavam, observados por um guardinha segurando um enorme cão pastor alemão que latia estridente e ameaçava atacar os moleques.

Fiquei pensando: um bom meio de saber o grau de civilização de um país é observar como age a sua polícia.


Samba politizado

O som da voz e violão ecoa por boa parte da praça onde fica o miniférico. O artista se apresenta num pequeno coreto. Termina a música, agradece os poucos aplausos, e começa um pout pourri de sambas.

De repente, talvez empolgado pela oportunidade de dar o seu recado, se esquece que é Carnaval e improvisa um verso ofensivo à presidenta Dilma.

Vou embora, mas me arrependo em seguida: deveria ter informado a ele que o autor daqueles sambas que cantava e onde enfiou, de contrabando, a ofensa, é um comunista chamado Martinho da Vila, que acha que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve e sonha em fazer um samba-enredo sobre ele para a sua amada Vila Isabel.

O Carnaval e o caráter de cada um

Passo os olhos por centenas de fotos de blocos carnavalescos com que a internet nos presenteia.

Demorei mais numa coleção delas, feitas na tarde de sexta-feira em Jundiaí e publicadas no site Jundiaqui, dos considerados Edu Cerioni e Picoco Barbaro. As fotos registram a folia de um bloco que brinca, tradicionalmente, nas ruas centrais da cidade, o Refogado do Sandi, recentemente elevado à condição de patrimônio imaterial jundiaiense.

Segundo relato da imprensa (?) local, de 15 mil a 20 mil pessoas passaram a tarde e começo da noite na folia.

Muitos jovens, muita gente classe média, fantasias e tudo mais.

É bom ressaltar que o Refogado não é o único grupo de carnavalescos que sai às ruas de Jundiaí - há vários outros, o suficiente para inserir a cidade nessa moda que tomou conta dos paulistas nesta época, os blocos de rua.

O Refogado do Sandi tem esse nome em homenagem a um prato de um tradicional bar jundiaiense. 

Um de seus fundadores e, talvez o principal incentivador, foi Erazê Martinho, ex-publicitário, ex-vereador.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Prendam Lula. E durmam em paz

Esse diz que diz ininterrupto, essa fofocagem toda, incessante, sobre Lula já encheu o saco.

O Brasil, vê-se, é o país da hipocrisia.

Qualquer pessoa com dois neurônios já percebeu que o objetivo da tal Lava Jato, e agora, da tal Zelotes, não é, absolutamente, prender corruptos ou combater a corrupção, embora alguns deles possam mesmo ir em cana nesse processo.

A intenção é destruir Lula, acabar com o PT, dizimar suas lideranças e esculhambar o governo federal.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Brasil é uma das marcas mais admiradas do mundo

Ao contrário do que pensa uma parcela de sua população, vitimada pelo que se convencionou chamar de "síndrome (ou complexo) de vira-lata" o Brasil é a marca nacional mais admirada da América Latina e a 20ª marca mais admirada entre 50 nações escolhidas para compor o Anholt-GfK Nation Brands Index 2015 (NBI), estudo anual que mede a percepção global sobre 23 atributos, combinados em seis áreas (exportações, governança, cultura, população, turismo e imigração/investimento). 

No ranking mundial do NBI, o país avançou uma posição em relação a 2014 entre as marcas nacionais mais prestigiadas do mundo. Os resultados são baseados em 20.342 entrevistas feitas em 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento. 

A Argentina, superada pela Rússia, China e Cingapura, ficou no 25º lugar, perdendo três posições em relação a 2014.

O México, 3º colocado da região, recuou para a 31ª posição.

O Brasil é bem conceituado pelo público global por sua cultura e está entre os dez países mais bem classificados nessa área. 

Mas por que a inflação não cai?

Parece um mistério de livro policial: o Banco Central aumenta a taxa básica de juros, e esfria, assim, ainda mais a atividade econômica, mas a inflação não se rende às propaladas leis do mercado e continua alta.

Para tentar resolver esse enigma e contribuir para o debate macroeconômica, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicou a Nota Técnica "Por que a Inflação Não Cai com o País em Recessão".

Nela, sugere que o governo, por causa do fracasso em combater a alta da inflação, indique claramente "a transição para o crescimento econômico" e, nesse caminho, conduzia "reformas estruturais que coloquem o desenvolvimento produtivo como eixo estruturante do crescimento".

Alerta, ainda que o objetivo de estabilizar preços, embora fundamental, "não pode ser considerado como um fim em si mesmo, pois não há sentido na política econômica se a estabilização não for concebida como condição necessária para a promoção do crescimento e da distribuição da renda". 

"A experiência mais recente de estabilização no Brasil, o Plano Real (1994),
deixou isso muito claro", diz o texto. "Obteve-se a estabilidade, com o recuo rápido dos níveis de preços, mas não se logrou o crescimento econômico e, tampouco, melhor distribuição da riqueza produzida." 

A seguir, a íntegra das conclusões do estudo do Dieese:


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A imprensa brasileira consegue superar Kafka

A perseguição sem trégua que a imprensa brasileira move contra o PT, suas lideranças e, principalmente, o ex-presidente Lula, além de ferir princípios éticos e morais e atentar contra a lei (difamação, calúnia e injúria são crimes tipificados no Código Penal), tem um componente extra que se destaca: é, sob qualquer princípio lógico, absurda.

A expressão "kafkiana" é usada costumeiramente para indicar situações sem pé nem cabeça. Deriva do escritor tcheco Franz Kafka, autor de uma obra originalíssima por destacar elementos fantásticos e irreais na vida de cidadãos comuns, como, por exemplo, o conto "A metamorfose", no qual o protagonista acorda como um inseto repugnante, ou o romance "O Processo", que trata de alguém que é processado por uma autoridade inacessível por algo que não sabe o que é.

No caso de Lula a imprensa age exatamente como numa obra de kafka.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Jornalistas rasgam código de ética da categoria

Poucos sabem, inclusive os próprios profissionais da categoria, mas os jornalistas brasileiros têm um código de ética que, ao menos na teoria, deveriam seguir.

O código foi, segundo informações da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), atualizado no Congresso Extraordinário dos Jornalistas, realizado em Vitória no ano de 2007. Aprovadas por delegações de 23 Estados, as mudanças tiveram seu texto final elaborado por uma comissão eleita no congresso.

O código tem cinco capítulos (Do direito à informação, Da conduta profissional do jornalista, Da responsabilidade profissional do jornalista, Das relações profissionais e Da aplicação do Código de Ética e disposições finais) e não é difícil de ser respeitado.

Para isso, porém, o profissional precisa não só conhecer o seu texto, mas ter consciência de classe - e, sobretudo, caráter.

A campanha persecutória-difamatória-criminosa que a imprensa brasileira, um oligopólio formado por meia dúzia de famílias, move contra o PT, suas lideranças, e, principalmente, contra o ex-presidente Lula, enquadra os autores das matérias em pelo menos dez artigos e parágrafos do código de ética da categoria:

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ministério Público escancara seu objetivo: trancafiar o "Brahma"

O Ministério Público, que age em conjunto com a Polícia Federal, Judiciário, imprensa e partidos políticos para varrer o PT da vida nacional, finalmente, depois de muitos titubeios, deu o primeiro passo para seu maior objetivo: prender o "Brahma", o "Nove Dedos", nem que seja por pouco tempo, a fim de enlamear não só a sua biografia, mas também interditar o seu futuro político.

Parece que os integrantes do órgão se cansaram de apenas perseguir o "Apedeuta", familiares e amigos, com factoides repetidos à exaustão no noticiário "agitprop" exibido pelos meios de comunicação. 

E eis que um promotor tresloucado, com histórico dos mais suspeitos, resolve intimar o "Molusco" e sua esposa para depor como investigados num processo kafkiano, na qual eles surgem como donos de um imóvel que nunca foi deles.

Geração Y vai ajudar a reeleger Haddad

O professor Adolpho Queiroz, do curso de Comunicação do Mackenzie, vai na contramão do que pensam muitos analistas políticos e acha que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, será reeleito. 

Segundo ele, autor do artigo "Dois Números, Uma Palavra e um Prognóstico", existe "uma tendência eleitoral desta corrente de jovens eleitores [a geração Y] favoráveis à reeleição do atual prefeito, por três símbolos sugeridos no título deste artigo: uma palavra (ciclovia) e dois números 50 (quilômetros de velocidade máxima nas marginais) e 500 (quilômetros de novos corredores de ônibus)".

Queiroz, que é pós-doutor em comunicação e presidente de honra da Politicom, Sociedade Brasileira de Pesquisadores e Profissionais de Comunicação e Marketing Político, diz ainda que "Haddad deixa seu exército 'Brancaleone' ao passo que se inicia o firmamento do ideal de políticas públicas importante para o século XXI, também ouvido por interlocutores com ideias similares e passa a ser reconhecido por sua ousadia".

A seguir, a íntegra de seu artigo:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O faroeste é aqui: 21 cidades brasileiras estão entre as 50 mais violentas do mundo

O site da Deutsche Welle, serviço informativo da Alemanha, traz interessante notícia sobre as cidades mais violentas do mundo.

E, adivinhem, o Brasil é destaque: emplacou 21 cidades entre as 50 com maiores índices de homicídios do planeta.

O estudo é de uma ONG mexicana, o Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal.

Vale lembrar que as polícias civis e militares são responsabilidade dos Estados e as guardas municipais são, como o nome diz, dos municípios.

Talvez se as pessoas soubessem um pouco mais sobre como a república brasileira é organizada elas cobrassem as responsabilidades a quem de direito, em vez de atribuir todas as mazelas do país ao "governo", claro que o federal, se esquecendo que existem governadores e prefeitos que, muitas vezes, são incompetentes, corruptos ou simplesmente ladrões.

Abaixo, a íntegra da matéria da DW: