sábado, 30 de agosto de 2014

Os brasileiros que renegam a civilização

A moça loira gritava, na quinta-feira à noite, a plenos pulmões, com expressão de ódio, a ofensa racista ao goleiro do Santos, no estádio do Grêmio, em Porto Alegre, uma das capitais mais cosmopolitas do Brasil.
No site da ESPN Brasil, a sua manifestação criminosa aparecia numa foto com a seguinte legenda: "Torcedores do Grêmio fazem críticas racistas a Aranha, goleiro do Santos."
Críticas racistas...
Uma foto de um casal de namorados, ela negra, ele branco, colocada no Facebook dias atrás, provocou uma enxurrada de vitupérios.
O que está acontecendo no Brasil?
Onde está o tão celebrado brasileiro cordial?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O que pode salvar o Brasil é a política, não a sua negação

Já que o brasileiro não liga para a política, detesta os políticos, acha que todo político é ladrão ou corrupto, o jeito é eleger para presidente alguém que não seja político.
E aí, como mágica, surge o nome dessa doçura de pessoa chamada Marina Silva.
Ela é, para esse brasileiro que tem pelos políticos um ódio visceral, tudo de bom.
Como o brasileiro que cultiva a ojeriza pela política, Marina também externa esse sentimento, garantindo que com ela essa raça de abominações que tem acabado com o Brasil vai ser posta devidamente em seu lugar, ou seja, ficará completamente fora da máquina administrativa.
Marina diz que esses partidos que estão aí fazem parte de um modelo ultrapassado, que todo o sistema político brasileiro não presta, que é preciso colocar algo novo - ela, é claro - em seu lugar, que é necessário mudar tudo para que a sociedade brasileira, e a própria democracia, avancem.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma estranha terceira via

Eleição vai, eleição vem, e a tal "terceira via" ressurge, prometendo mudar tudo isso que está aí, como uma panaceia para os males seculares do país.
Mas o que é essa terceira via redentora da política, salvadora da moral e dos bons costumes da vida pública?
No caso explícito de Marina Silva é nada mais, nada menos que um embolorado conteúdo convenientemente embalado num verdíssimo papel reciclado, última moda entre tantas outras que alimentam esta nossa vasta sociedade capitalista consumista.

sábado, 23 de agosto de 2014

A mediocridade de Alckmin é a chave de seu sucesso

Alckmin representa com perfeição o paulista conservador
(Foto: Marcelo Pinheiro/Alckmin 45)
Além da incrível capacidade de se manter invisível em qualquer circunstância que possa comprometê-lo, o governador paulista, Geraldo Alckmin, tem outra "qualidade" que talvez explique o fato de ser tão querido pelos seus concidadãos, que, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais, vão reelegê-lo com facilidade: ele é de uma mediocridade inconcebível.
Alckmin é péssimo orador, não tem nenhum carisma pessoal, sua administração parece uma geleia insossa, sob o seu governo o Estado regrediu em quase todas as áreas - segurança pública, saúde, educação, transportes, habitação -, ao ponto de estar à beira de uma tragédia de proporções inimagináveis causada pela falta d'água.
Apesar de tudo, porém, muita gente diz que gosta de Alckmin - ou que não se importa de ele conduzir tão mal os negócios paulistas.
É como se a soma de seus defeitos se transformasse em virtude.
E talvez seja isso mesmo o que ocorra.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A "providência divina". Lá e cá

As fotos que correm o mundo, imagens estáticas de um vídeo, não são o que aparentam.
Nelas, dois homens, um vestindo laranja, ajoelhado, outro, de preto, em pé, olham para a câmera.
O que veste laranja tem uma expressão serena; o de preto usa uma máscara.
As fotos nada revelam além de dois homens numa paisagem desértica.
Mas o vídeo é assustador, obsceno, uma afronta à dignidade humana.
A decapitação do jornalista James Foley pelos fanáticos enlouquecidos do Estado Islâmico é mais uma prova da incapacidade do ser humano de preservar a sua espécie.
Ou de incessantemente tentar aniquilá-la.
Não há dúvidas sobre o que são os militantes do EI: assassinos, nada mais, nada menos.
Não há dúvidas também sobre os motivos que levaram esses homens a tal estado de barbárie: ignorância, nada mais, nada menos.
Mas ignorância causada por essa desgraça chamada religião.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Datafolha escancara o vale-tudo desta eleição

Essa última pesquisa Datafolha é algo para se pensar.
Foi feita sob o impacto emocional da morte trágica de Eduardo Campos, antes mesmo do enterro de seu corpo.
E, além disso, colocou a sua vice, cuja candidatura nem sequer foi ainda oficializada, em seu lugar.
Ou seja, uma das opções oferecidas ao pesquisado, Marina Silva, não era ainda candidata a nada.
Vai ser, é claro.
Mas um precedente desse tipo num levantamento que se pretende sério - apesar da circunstância temporal e emocional em que foi realizado - pode ser muito perigoso para o processo eleitoral. 

domingo, 17 de agosto de 2014

A "nova política" não é para amadores

Um dos motes desta eleição presidencial é "nova política".
Todos os candidatos a qualquer cargo, de deputado a presidente, são contra as práticas "velhas" da política.
Ninguém aguenta mais esse estilo ultrapassado de se dedicar à causa pública, fazendo dela uma extensão dos negócios privados.
O Brasil está onde está, nessa draga, dizem os neoconvertidos à causa da política "limpa", principalmente devido aos hábitos coronelescos e medievais que imperaram durante séculos no país.
É hora de mudar, proclamam.
E vão à luta, anunciando que, se eleitos, tomarão medidas saneadoras dos maus costumes.
Mas para isso, têm, antes de ganhar a eleição.
E, portanto, precisam de muito material de campanha, de equipes e mais equipes de assessores de todos os tipos, de aviões que os transportem rapidamente para que possam explicar aos eleitores seu novo modo de fazer política...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A verde Marina é agora a grande esperança branca

Muita gente não entendeu a escolha de Marina Silva de entrar como candidata a vice na chapa do PSB, encabeçada por Eduardo Campos.
Ela tinha feito todo o possível para tornar o seu partido viável e em condições de entrar na disputa presidencial deste ano.
Como não conseguiu, o caminho mais lógico seria a entrada num desses inúmeros partidos de aluguel permitidos pela nossa frouxa legislação eleitoral.
Não faltaram convites a Marina.
O anúncio de que ela não sairia candidata à presidência pegou todo mundo de surpresa.
Alguma coisa deve ter ocorrido, como dizem, por trás da cortina.
Porque não havia comparação entre o peso eleitoral de Marina e Campos.
A ex-senadora conseguiu quase 20 milhões de votos na eleição de 2010 e estava se tornando a tal "terceira via" da política brasileira.
Contava, ainda, com uma forte retaguarda financeira, graças ao apoio de pessoal ligado à Natura e ao Banco Itaú - entre outros empresários.