terça-feira, 17 de abril de 2012

Exemplo de pragmatismo


Três pontos merecem ser destacados na passagem da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, pelo Brasil:
1) Os EUA apoiam o desejo do Brasil de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU;
2) Os EUA querem participar do processo de exploração do petróleo da camada de pré-sal;
3) Os EUA gostariam de fechar um acordo de livre comércio com o Brasil.
Para quem achou que a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos foi um fracasso - não foram poucos os que resumiram o encontro com Barack Obama ao "acordo da cachaça" -, a entrevista da secretária de Estado põe as coisas em seus devidos lugares.
Os Estados Unidos têm real interesse em estreitar as relações - comerciais e culturais - com o Brasil. Suas autoridades sabem, porém, que o Brasil de hoje não é o de duas décadas atrás, totalmente submisso à vontade  do poderoso país do Norte - todos se lembram do episódio do embaixador brasileiro que aceitou ser revistado e até tirou os sapatos para poder entrar em território americano, episódio emblemático da total submissão do Brasil perante os EUA.
Por isso tiveram de mudar sua linguagem e seu modo de agir com relação aos brasileiros. Agora usam muito mais a ambígua linguagem diplomática do que antes, expressam desejos em vez de dar ordens explícitas, dão sugestões em vez de fazer críticas abertas, oferecem ajuda em vez de impor tratados.
Envolvidos em questões seríssimas em regiões distantes de seu território, não há motivos para que os americanos alimentem tensões além das já existentes com seus vizinhos.
O Brasil, por ser o maior de todos, aquele que caminha rapidamente para ser um igual, merece tratamento diferenciado.
Com todo o seu pragmatismo, os americanos sabem que não podem perder a oportunidade de ter o Brasil como um aliado, se não dá mais para tê-lo como um mero criado.
Ainda mais agora quando fica claro que a estratégia de seu maior adversário, a China, é exatamente caminhar pelo mundo através das imensas fissuras deixadas pelos movimentos do gigante americano.
A aproximação dos Estados Unidos com o Brasil é, portanto, muito mais importante do que qualquer diferença ideológica que possa existir entre os dois governos.
Uma atitude que poderia servir de exemplo para muitos empresários e políticos nativos, que ainda não entenderam seu papel numa sociedade democrática.

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