sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Alguém se lembra?

Vamos recapitular:

mensalão;
o caseiro Francenildo;
caos aéreo;
apagão energético;
epidemia de febre amarela;
gastos com cartões corporativos;
dossiê contra FHC e dona Ruth;
a volta da inflação;
escutas telefônicas ilegais.

A lista poderia ser ainda maior. Ficam de fora ataques esporádicos (como contra alguma declaração inusual) ou críticas recorrentes (real supervalorizado, juros estratosféricos e política externa fracassada são alguns).

Dá para notar claramente que a oposição ao governo Lula é feita quase que exclusivamente em cima de factóides que causaram algum estrago, mas não resistiram ao tempo.

Ou alguém ainda fala do risco do país repetir o apagão da era FHC? Ou que a inflação vai ficar totalmente fora do controle?

Poderia ser diferente.  O governo Lula tem muitos pontos fracos. Felizmente para ele, seus inimigos são ainda piores.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

No país das maravilhas

Na mesma semana, dois episódios ilustram o que é o Judiciário do país.

No primeiro, o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves vê a pena imposta pelo assassinato da também jornalista Sandra Gomide reduzida em três anos.

O detalhe é que Pimenta Neves está livre - desde que cometeu o crime, há oito anos, passou apenas seis meses preso.

Fato relevante: Pimenta Neves foi correspondente em Washington e diretor de redação do Estadão e da Gazeta Mercantil, trabalhou por uma década para o Banco Mundial e era amigo de vários donos de jornais.

No segundo, três rapazes foram soltos depois de passarem dois anos presos sob a acusação de terem estuprado e matado uma jovem. O crime acabou sendo confessado por outra pessoa. Dos três, dois se diziam inocentes e o terceiro relatou que havia confessado sob tortura. Apesar de soltos, terão ainda de ir a júri.

Fato relevante: os três são uns pobres coitados.

Os dois casos certamente não são os únicos que reforçam a percepção generalizada de que no Brasil a Justiça é para pobres, pretos e putas.

O circo rapidamente instalado pela oposição em geral a respeito da matéria da revista Veja é apenas a prova cabal de que há algo de podre no reino da Belíndia.

Certas pessoas não têm apenas a certeza da impunidade, como trabalham com muito afinco para que ela seja transformada em lei.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aposta arriscada

É impossível para qualquer pessoa saber que fim reserva a crise criada pela revista Veja com o caso inédito de um grampo que beneficia suas vítimas.

De qualquer modo, algumas considerações já podem ser feitas:

1) O governo Lula ainda não compreendeu que, para a chamada grande imprensa, ele é, simplesmente, um inimigo a ser vencido.

2) A oposição não tem bandeiras, não tem programa, não tem ideário: sua obsessão é criar problemas ao governo e, para tanto, deixa-se levar pelos fatos. Na maioria das vezes não entende que esses fatos podem arruinar uma democracia ainda frágil.

3) A tal da elite existe mesmo e é mais poderosa do que se imagina. O caso Daniel Dantas é exemplar quanto a isso.

4) Se, por um lado, a economia sustenta a popularidade de Lula, politicamente seu governo é um desastre absoluto, "sustentado" por parlamentares totalmente fisiológicos e sem compromissos de longo prazo com um projeto nacional.

5) Não existe um projeto nacional.

6) É impossível agradar a todos todo o tempo.

7) A tibieza dos parlamentares do PT, que, teoricamente, deveriam ser os primeiros a sair em defesa do governo em tempos de crise, já que Lula é o ícone máximo do partido, ultrapassa qualquer medida.

A conclusão desta nova crise não tem data. Deveria, para o bem geral, ser breve. Muitos de seus atores têm a certeza de que sairão mais fortalecidos dela. Não deveriam pensar assim.

Quando o circo pega fogo, todos podem se queimar.