domingo, 30 de janeiro de 2011

Momentos de ansiedade


O problema todo do terremoto que assolou o governo ditatorial da Tunísia e agora se estende com fúria ainda maior ao Egito é saber o que virá depois que o vento amainar: quem sucederá esses oligarcas, qual será a inspiração do novo regime, que papel terá nessas mudanças a religião?
Um dos princípios básicos de qualquer ditadura é sufocar a oposição. Os casos de Tunísia e Egito são exemplares. Quem são as lideranças políticas que podem suceder os tiranos?
Os dois países, embora muçulmanos, têm ligação profunda com o Ocidente. Nas últimas décadas, porém, não restou neles nenhum traço de uma voz discordante laica que pudesse ser uma alternativa consistente aos horrores perpretados pelos seus ditadores.
A história recente do Irã nos mostra a importância aglutinadora das massas e mesmo revolucionária da religião nesses processos de mudança radical. Trocou-se o regime corrupto e brutal do xá Reza Pahlevi pela intransigência dogmática da teocracia dos aiatolás.
Claro que não é papel de nenhum governante, nenhum líder de fora, dar palpites sobre a escolha soberana dos outros povos. Cada um faz o que julga melhor: a China, por milênios, é uma nação autocrática, a democracia de modelo ocidental para um chinês é coisa do outro mundo.
Por isso é que estes momentos de explosão popular nesses países muçulmanos dão a todas as pessoas preocupadas com o destino do mundo uma estranha sensação, mista de ansiedade, angústia e esperança. Resta o consolo de saber que pior que está a situação não pode ficar para aquelas milhões de pessoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário