sábado, 2 de abril de 2016

Lula em Fortaleza: mídia é responsável pelo clima de ódio

O ex-presidente Lula discursou hoje (2) na Praça do Ferreira, no centro de Fortaleza, e reafirmou a defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff, sua sucessora. A visita dele atraiu tanto a população da cidade como de outros municípios, que formaram caravanas para participar da manifestação.

Bandeiras, estandartes e camisas estampavam o rosto de Lula e os depoimentos das pessoas reforçavam a sua liderança política. “Nós viemos a Fortaleza dar apoio a Lula porque ele foi a pessoa que mudou a cara do Brasil. A visita é importante porque ele vem mostrar que tem compromisso com o povo.”, disse o agricultor Tertuliano Alves Feitosa, que mora em Pedra Branca, a 262 quilômetros da capital cearense.

Lula em Fortaleza: queremos que respeitem o nosso voto
(Foto: Allan Taissuke/Midia Ninja)
A vinda a Fortaleza faz parte de uma estratégia do ex-presidente destinada a obter apoios à manutenção do mandato de Dilma na Presidência da República. Em um discurso de cerca de meia hora, Lula ressaltou as conquistas dos governos do PT e a necessidade da retomada do crescimento econômico.

Ele provocou diversas vezes palavras de ordem entre os presentes, como “Lula, guerreiro do povo brasileiro” e “Lula, me liga, me chama de querida”, que faz referência ao áudios de conversas do ex-presidente divulgados pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato.

“Mesmo que não tivesse esse ato, só pela chuva que Deus mandou, já valeria a pena estar aqui no Ceará”, iniciou Lula, citando a chuva que persiste no Estado há três dias e que prosseguiu no dia de sua visita. Em uma avaliação da crise política, ele disse nunca haver visto um clima de ódio como o atual e, sem citar nomes, o atribuiu a alguns setores da mídia.

O ex-presidente criticou as pessoas que se manifestam a favor da saída de Dilma. “Essa gente que vai para a rua usando verde e amarelo para dizer que são brasileiros precisava ter trabalhado o tanto que nós trabalhamos. Eles precisam saber que esse povo que está aqui é ordeiro, paga suas contas e que quer apenas respeito ao mais elementar e universal, que é o direito ao voto popular que elegeu Dilma.”

Segundo a Secretaria da Segurança e Defesa Social do Ceará, cerca de 12 mil pessoas participaram do ato na Praça do Ferreira. (Edwirges Nogueira, correspondente da Agência Brasil, edição de Talita Cavalcante)

Atos públicos podem ajudar a barrar o golpe

As manifestações ocorridas na última semana em diversas cidades do país, contrárias ao processo de impeachment, poderão mudar a percepção de que havia uma opinião predominante no país, favorável ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff, e até influenciar na decisão dos parlamentares sobre a questão, segundo avaliação da professora Helcimara Teles, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Os movimentos estão reenquadrando a percepção que era vista como hegemônica, de que toda a opinião pública era favorável ao impeachment. Existem várias opiniões no Brasil favoráveis ao impeachment, mas existem outras também que tratam o impeachment como um golpe”, explica.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

E O Globo sentiu o golpe...

No Estadão de antanho, onde trabalhei por 18 anos, alguns nomes ou palavras eram vetados:

1) Adhemar de Barros virava A. de Barros;

2) Leonel Brizola, "caudilho"

3) Orestes Quércia, "governador";

4) Paulo Maluf, durante muito tempo, foi inominável.

Dizia a lenda que a gente não podia escrever "azar" - trocava-se por "falta de sorte", mas não posso afirmar se isso era verdade ou não: se editei algum texto com "sorte", ninguém reclamou.

Como será a tramitação do golpe na Câmara

A presidenta Dilma Rousseff tem até as 19 horas de segunda-feira (4) para apresentar defesa por escrito à comissão especial destinada a analisar a admissibilidade do processo de impeachment. Nessa data se encerra o prazo de dez sessões ordinárias para a apresentação da defesa.

Para que o processo de impeachment seja aprovado na Câmara dos Deputados e posteriormente encaminhado ao Senado são necessários os votos de no mínimo 342 dos 513 deputados. A votação será nominal e aberta. Quando o processo começar, os deputados serão chamados a votar de acordo com a região ou o Estado a que pertencem. Se a votação não alcançar os 342 votos, o processo será automaticamente arquivado. Caso contrário, o impeachment segue para o Senado. Para barrar o seguimento do processo, o governo precisa ter pelo menos 172 votos, o que impediria a oposição de conseguir os 342.

quinta-feira, 31 de março de 2016

E os amigos da democracia surgiram, aos milhões

Nas crises é que se revela a personalidade das pessoas.

Pegue o exemplo de uma tragédia que possa ocorrer com um amigo ou um familiar.

Ele perdeu o emprego e a mulher está grávida, tem mais dois filhos em escolas particulares, mora em casa alugada.

Todos os amigos ou parentes lamentam o ocorrido, se mostram tristes, oferecem solidariedade, tudo conforme o figurino e as as regras de convivência social.

Mas na hora do vamos ver, todo mundo some.

Ou quase todos.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Devo, não nego, pago quando puder: esse é Paulo Skaf

Há sete anos publiquei uma croniqueta dedicada a um dos mais notórios homens de bem do país, o "capo" da Fiesp Paulo Skaf.

No seu currículo consta a cruzada vitoriosa que empreendeu contra a CPMF, que teve como consequência a retirada de uma montanha de dinheiro para a saúde pública e o enfraquecimento dos mecanismos de combate à sonegação fiscal.

Skaf agora empreende nova batalha, a favor do golpe que pretende defenestrar a presidenta Dilma e entregar o comando do país a pessoas do calibre de um Temer, um Cunha, um Aécio, um Serra - todos, como ele, igualmente homens de bem.

Um fato interessante sobre Skaf, sabido por algumas pessoas, é que embora comande a mais poderosa federação empresarial do Brasil, ele não dirige nenhuma empresa.

Skaf foi um empresário, há alguns anos, mas não resistiu às dívidas com o INSS.

Ou seja, no fundo, no fundo, Skaf não gosta mesmo é de pagar o que deve.

Para saber mais de sua história, vai aí a crônica publicada em 2008:

terça-feira, 29 de março de 2016

O PMDB deixa o governo. Já vai tarde

O PMDB vai desembarcar do governo Dilma, anuncia-se com toques solenes de fanfarra.

E daí?

Desde quando o PMDB ajudou o governo Dilma?

A qual partido pertence Eduardo Cunha, o Sr. Impeachment?

E o traíra Michel Temer?

segunda-feira, 28 de março de 2016

O manifestante antigoverno típico está longe de representar o brasileiro típico

A Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, realizou uma interessante pesquisa, sobre os manifestantes antigoverno que foram à Avenida Paulista dia 13.

Ela foi publicada no número de estreia do Boletim de de Análise da Conjuntura Política e Opinião Pública. 

Algumas de suas conclusões:

1) as pessoas que foram às ruas são predominantemente conservadoras e elitizadas;

2) a pluralidade de participação anunciada não se concretizou na prática;

3) o manifestante pró-impeachment do dia 13 tem em média 45 anos, mais que a média dos que foram as ruas o ano passado pelo mesmo motivo (39 anos);

4) a juventude é o segmento etário que mais se distanciou das manifestações deste ano, com metade da participação do ano anterior (14% até 29 anos, perante 28%, do ano passado na mesma faixa etária);

5) cresceu este ano a participação de manifestantes com idade acima de 50 anos (40%, contra 24% no ano passado);

6) em termos de escolaridade e renda o perfil do manifestante contra Dilma variou pouco, com predominância de nível superior (76%, com 46% com ensino superior completo e 20% com pós-graduação, taxa extremante elevada, comparada à população, brasileira em geral (11% possuem ensino superior);

7) da mesma forma, a média da renda familiar mensal apurada na manifestação girou em torno de 10 salários mínimos (R$ 8.823,00), valor que menos de 3% da população brasileira alcança, e entre os manifestantes chegou a 64%;

8) a faixa de renda inferior a 2 salários mínimos, onde 71% da população brasileira se situa, segundo o Censo do IBGE, teve apenas 7% de representantes na manifestação;

9) a representação étnica presente na Avenida Paulista também difere muito da população brasileira - 70% dos que lá estiveram se autodeclaram brancos (enquanto no Brasil, segundo o Censo é de 48%) e 20% pardos (menos da metade do que esse segmento representa na composição da população total – 48%);

10) como no ano passado, o principal motivo que levou 58% dos manifestantes às ruas no dia 13 foi protestar contra a corrupção, pouco mais de um terço (39%) dos que lá estavam foram pedir o impeachment contra o governo e 22% foram reivindicar mudança na política; 

11) o crescimento nas taxas de pedido de impeachment e mudança na política foram os mais expressivos em relação às manifestações do ano passado. Fora isso, manifestar-se contra o PT (21%), a favor do Brasil (16%) ou o simples apoio à manifestação (14%) compuseram o discurso vazio das ruas no dia 13;

12) pautas tradicionais, como saúde, educação ou mesmo emprego ou inflação, foram pouco mencionadas pelos manifestantes; 

13) a principal forma de convocação para o ato foram as redes sociais, citadas por 73% dos manifestantes, onde se destaca o Facebook – 52%.

A íntegra da nota é a seguinte:

sexta-feira, 25 de março de 2016

"Democracia do meu país me dá forças para lutar"

A matéria reproduzida a seguir é do Blog do Planalto e trata da conversa da presidenta Dilma Rousseff (na foto ao lado, de Roberto Stuckert Filho) com correspondentes da imprensa estrangeira - a primeira que deu para denunciar ao mundo o golpe de Estado que está sendo promovido no país para tirá-la da Presidência da República.

“Podem me virar dos avessos. E é esse o problema. Por que eles pedem que eu renuncie? Por que eu sou mulher, frágil? Eu não sou frágil, não foi isso a minha vida. Sabe por que pedem que eu renuncie? Para evitar o imenso constrangimento de tirar uma presidenta eleita, de forma indevida, de forma ilegal, de forma criminosa”, afirmou.

A seguir, a íntegra da reportagem:

quinta-feira, 24 de março de 2016

PMDB, PT e PSDB perdem deputados federais

Fidelidade partidária ou coerência ideológica não é o forte dos parlamentares brasileiros: a "janela" para troca de partido já permitiu que 16,4% dos 513 deputados federais, ou seja, 84 deles, mudassem de legenda. 

A informação é da agência de notícias da Câmara dos Deputados. 

Entre os cinco partidos com mais parlamentares, PP e PR cresceram com as mudanças, enquanto PMDB, PT e PSDB encolheram.

A íntegra da matéria é a seguinte: