quarta-feira, 28 de agosto de 2013

E os demônios se soltaram...


É como a se a mitológica caixa de Pandora tivesse sido aberta. 
De repente, afloraram, em manifestações públicas ou nas chamadas "redes sociais" da internet, todos os demônios que se escondiam sob uma fina pele civilizatória em certos estratos sociais do país.
As reações racistas e xenofóbicas dos últimos dias contra a presença dos médicos cubanos no Brasil não partiram só dos supostos prejudicados pelo trabalho dos profissionais, não foram apenas uma defesa corporativa.
Elas extrapolaram a categoria e se espalharam como uma nuvem tóxica por vários segmentos da sociedade.

O Brasil, em pleno século 21, descobriu que viveu, todos esses anos, a mentira da tolerância e da igualdade e a farsa da miscigenação racial.
O que se falava a boca pequena, entre paredes, em tom jocoso nas reuniões de amigos, o que se espalhava em anedotas ou em "casos" ficcionais, hoje é disseminado em mensagens na internet, às claras, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
As médicas cubanas parecem as nossas empregadas domésticas, escreveu a jornalista potiguar loira.
"Voltem para a senzala, escravos", gritaram os médicos cearenses morenos.
"São curandeiros", bradam presidentes de entidades de classe.
Quantos seres humanos ainda terão de ser humilhados, quantas ofensas ainda terão de ser feitas para que se revele por inteiro a alma dessas pessoas, influentes, poderosas - a elite do Brasil?
E até quando ficarão caladas as vozes daqueles que não concordam com essa onda desprezível de racismo e xenofobia que envergonha a nação?

3 comentários:

  1. Parabéns pelo texto!

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  2. Agora podemos dizer: O Diabo Veste Jaleco Branco.

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  3. Muito boa análise. E tudo isso ocorreu próximo à data comemorativa de Martin Luther King! Bravos! Essa é a contribuição brasileira à memória desse grande líder!

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