sábado, 31 de dezembro de 2011

Diletantes e profissionais

"Fantasiado com bastão", coleção particular

Nesta chuvosa véspera de Ano Novo, leio que Mario Gruber, fino esteta do traço e das cores, poeta amargurado da escrita sem palavras, morreu, aos 84 anos.
Os jornais soltam algumas pequenas notas, até mesmo a ministra da Cultura vai a público lamentar o ocorrido.
Além da grande obra que deixou, Mario Gruber pode se orgulhar do fato de que seu filho Gregório e seu neto Tamino seguiram os seus passos, imprimindo, cada qual a seu modo, sua marca na produção artística brasileira.
A morte de Gruber suscita algumas reflexões, principalmente neste momento em que as praias estão cheias de gente ansiosa à espera da contagem dos segundos que faltam para o início de 2012.
Uma das principais diz respeito ao papel da arte e da cultura num país com a vitalidade do Brasil, que hoje se esforça para se ombrear às democracias mais prósperas da Terra.
É um assunto ainda aberto a toda espécie de discussão.
Nenhuma delas há, porém, de ignorar o fato de que, quase toda a produção artística contemporânea, em qualquer tipo de manifestação - não falo, evidentemente, do subproduto comercial, do lixo da indústria de entretenimento - nasceu praticamente sem a ajuda estatal.
E, como todos sabem, a arte popular brasileira não faz feio no mundo.
Imagino então como seria se houvesse no país um esforço coordenado entre os entes federativos para que a juventude tivesse, pelo menos, acesso mais amplo a essa notável produção.
Ouso, num delírio, pensar em como seria bom se o rádio e a TV trocassem só um pouco da porcaria que transmitem por uma programação mais "saudável", mais educativa.
Gruber começou sua brilhante carreira de pintor, gravador e escultor como autodidata. Teve, porém, a oportunidade de estudar na França, onde certamente ampliou seus conhecimentos e depurou a sua arte.
Nesse sentido, foi afortunado.
São raros os que conseguem atingir a condição de mestres no que fazem sem o apoio de alguém, sem a orientação e os ensinamentos dos mais experientes.
Há toda uma geração criativa, inventiva e talentosa, que pode ajudar o Brasil a se firmar também como uma potência artística e cultural, espalhada por aí. Mas é preciso que mãos generosas a ajude a superar a barreira que separa o diletante do profissional.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Vamos a la playa


A avenida que costumeiramente está cheia de carros mostra raros passantes neste momento.
Um sol fraco tenta romper a barreira de poluição da cidade.
Os títulos das notas dos portais informam que as estradas, para o litoral e para o interior, estão lotadas.
Ontem, a dona da mercearia da esquina perguntou se eu já estava preparado para ir à praia. Disse que não, que a perspectiva de passar horas numa estrada, em meio a um congestionamento, me assustava. Ela então emendou que por nada neste mundo deixaria de ir à sua casa, em Mongaguá, demorasse quanto demorasse a viagem.
- Já saio preparada para isso. Nem me importo se demora cinco horas ou não.
Na redação, a expressão de ansiedade das pessoas para o dia terminar era evidente. A pergunta de todos era se o fim de semana seria de sol. Alguns procuravam nos mapas do Google caminhos capazes de driblar os percalços da volta inevitável.
Na segunda-feira serão também inevitáveis os comentários sobre o anda e para na Imigrantes, sobre a multidão nas praias do litoral norte, os preços absurdos da cerveja, a sujeira que está tudo aquilo...
Afinal, todo fim de ano é assim.
E cada vez mais o paulistano, esse indivíduo que diz amar a sua cidade, apesar de tudo o que de ruim encontra nela em cada dia de sua vida, acha um motivo para se livrar da metrópole.
Com suas artérias entupidas e à beira de um colapso terrível, um infarto fulminante, São Paulo expele para fora de seus limites milhões de toneladas de aço e plástico que poluem seu ar de gás carbônico e ruído insuportável.
A nova classe média, que antes da ascensão se ajeitava como podia em ônibus, vans ou mesmo caronas para a aventura do Revéillon, hoje acelera feliz o último modelo que paga em intermináveis prestações, desfruta do milagre proporcionado pelo "consumo interno" abençoado por economistas de vários matizes.
O mundo europeu enfrenta frio, desilusão e desesperança. Nós, os "emergentes", esquecemos os dissabores na estrada, rumo à praia.
Um ano novo está prestes a chegar. Carregando nos seus dias imutáveis os mesmos velhos problemas e as sempre adiadas soluções.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sem-vergonhice

Freire: férias de Dilma são "sem-vergonhice" (Foto: Elza Fiúza/ABr)

O presidente do diretório nacional do PPS, aquele partido que conseguiu a proeza de passar de uma combativa esquerda para a mais reacionária extrema direita, o deputado federal Roberto Freire, aproveita o vácuo da oposição para marcar terreno como liderança desse exército sem tática nem estratégia.
No seu twitter, vocifera contra as férias da presidenta Dilma Rousseff, para ele, no mínimo uma "sem-vergonhice".
Como se sabe, a presidenta foi para a Base Naval de Aratu, da Marinha, na Bahia. Freire está injuriado porque leu em algum lugar que foram gastos R$ 658 mil para a reforma da ala residencial do local - uma imoralidade, na sua lógica.
Freire, porém, não revela que a reforma começou em 2010, portanto antes de Dilma ser eleita; que a Marinha já explicou que ela não será a única pessoa a ser recebida ali; e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também já esteve hospedado naquela base naval.
O deputado pode, realmente, estar preocupado com a destinação do dinheiro público. Pode, sinceramente, achar que a presidenta não merece tirar uns dias de férias, nem a Marinha manter um local que se preste a receber hóspedes ilustres. É o seu direito.
Como também esteve no seu direito receber durante meses, jetons de R$ 12 mil da Emurb e da SPtur, para participar de reuniões mensais dos seus conselhos de administração.
A contribuição de Freire ao urbanismo e ao turismo paulistanos se deu quando ele estava meio por baixo na política nacional.
E quem se lembrou, num gesto de puro altruísmo, que ele poderia ajudar, com a sua sabedoria, a gestão dessas empresas, em 2005, foi o então prefeito paulistano José Serra, seu amigo do peito.
O deputado costuma se defender daqueles que o acusam de ter-se pendurado numa sinecura dizendo que exerceu os cargos com dignidade.
Não há por que duvidar de sua palavra.
Afinal, a sua vida pública sempre foi, como podemos dizer, guiada por princípios.
Deve ter sido por isso que fez oposição a FHC, apoiou Lula com entusiasmo no início, e depois se transformou em inimigo feroz do que chama de "lulodilmismo".
Os órfãos do Partidão também sabem disso.
Afinal, Freire teve papel preponderante no enterro da mais digna legenda partidária que já existiu no país

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A síndrome da Fórmula 1


Muita gente ficou indignada com a resolução do Contran que desobriga os órgãos de trânsito a usar placas indicando a presença de radares nas vias públicas. Para essas pessoas, a medida faz parte do que se convencionou chamar de "indústria de multas". Mas quem teve a oportunidade de viajar neste fim de ano, ou quem passa algum tempo dirigindo em São Paulo, sabe que isso ainda é muito pouco para coibir a ação de motoristas absolutamente despreparados, que são a principal causa dos acidentes e das mortes no trânsito.
O sujeito que é contra a nova resolução deve correr a 140 km/h ou mais nas estradas e quando vê uma placa indicando a presença de um radar, reduz a velocidade no trecho, para depois voltar a acelerar e fazer a pista se transformar no seu parque de diversão particular, pondo em risco a sua e a vida de muitos.
Ora, a sinalização de trânsito não existe por acaso. Ninguém coloca uma placa indicando estrada sinuosa se ela é reta, nem a de proibido ultrapassar se naquele trecho a visibilidade é ótima. Um semáforo existe para impedir que os carros se destruam num cruzamento.
Mas do jeito que as pessoas dirigem, parece que as placas são apenas objetos decorativos ou que não servem para nada além de poluir a paisagem - que não veem, já que passam por ela numa velocidade absurda.
O Brasil é um dos países que estão no topo do ranking daqueles em que o trânsito mais faz vítimas. A cada fim de ano aparecem as estatísticas macabras sobre o tema. Campanhas educativas ou medidas como a "lei seca" parecem ter efeito mínimo para reduzir o número de mortos e feridos.
O motorista brasileiro parece sofrer da "síndrome da Fórmula 1": todos se acham um Senna, um Fittipaldi, um Massa; o mais prosaico carro popular parece que foi feito para ser uma estrela dos circuitos internacionais; um inocente passeio num fim de semana se transforma numa feroz competição entre psicopatas.
O carro é uma das armas mais poderosas que existem - uma massa de aço e plástico de 1 tonelada, no mínimo. Infelizmente, ainda são poucos os que enxergam essa realidade, esse potencial destrutivo dessa máquina que estimula sonhos e desejos de bilhões de pessoas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Para ler e discutir


Somente dias depois da publicação do livro "A Privataria Tucana", seus principais personagens vieram a público para negar as denúncias do jornalista Amaury Ribeiro Jr., amplamente documentadas. Antes, foi preciso que eles combinassem o que iriam dizer. Seguem o roteiro que qualquer advogado sabe preparar: não tenho nada com isso, é tudo mentira, quem me acusa é um desqualificado, no momento certo irei provar que sou inocente (sic), e tome um blá-blá-blá infindável.
Eles falam também que pretendem processar o autor do livro - quiçá o editor.
Ambos, Amaury e Luis Fernando Emediato, dizem estar aguardando ansiosos pelos processos, pois assim terão oportunidade de provar que tudo o que o livro afirma é verdade.
Para nós, meros cidadãos desta jovem república, só resta aguardar.
Quem sabe a Câmara dos Deputados também não resolva pôr de pé a CPI para investigar as denúncias do livro, movida pela pressão da sociedade?
Se pelo menos isso acontecer, 2012 poderá valer a pena, poderá ser um ano em que o país discutirá um pouco mais a fundo a grave doença da corrupção, sem se ater a tapiocas compradas com cartão de crédito corporativo, ou às "investigações" seletivas, cujo foco são os integrantes do governo Dilma, meros ataques coordenados pela oposição para minar o PT e seus aliados.
O fato é que a carreira do livro ainda está longe de terminar. Pelos seus méritos e pela necessidade de o Brasil encarar de frente os problemas que ele levanta.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Brasil mais perto do pódio


Segundo informa a BBC, o Brasil deve superar a Grã-Bretanha e se tornar a sexta maior economia do mundo ao fim de 2011, segundo projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês) publicadas hoje na imprensa britânica. Dias atrás o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia afirmado a mesma coisa.
A consultoria britânica especializada em análises econômicas prevê que a Grã-Bretanha continuará a cair no ranking das maiores economias nos próximos anos, com Rússia e Índia empurrando o país para a oitava posição. Ou seja, os países que formam o grupo denominado de Bric (Brasil, Índia, China e Rússia) rapidamente estão deixando de se tornar "emergentes", como são hoje classificados, para se transformarem em "desenvolvidos".
A mudança deve se dar mais rapidamente que se imagina, graças não só aos esforços dos países do Bric, mas também à inação dos europeus, que não sabem como sair do lodaçal em que se enterraram.
Para o jornal "The Guardian", a perda de posição da Grã-Bretanha se deve à crise bancária de 2008 e à crise econômica que persiste, em contraste com o boom vivido no Brasil na rabeira das exportações para a China.
O "Daily Mail",  diz que a Grã-Bretanha foi "deposta" pelo Brasil de seu lugar de sexta maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Alemanha e da França. Segundo o tabloide, o Brasil, cuja imagem está mais frequentemente associada ao "futebol e às favelas sujas e pobres", está se tornando rapidamente "uma das locomotivas da economia global" com seus vastos estoques de recursos naturais e classe média em ascensão.
Um artigo que acompanha a reportagem do "Daily Mail", ilustrado com a foto de uma mulher fantasiada sambando no Carnaval, lembra que o Império Britânico esteve por trás da construção de boa parte da infraestrutura da América Latina e que, em vez de ver o declínio em relação ao Brasil como um baque ao prestígio britânico, a mudança deve ser vista como uma oportunidade de restabelecer laços históricos.
"O Brasil não deve ser considerado um competidor por hegemonia global, mas um vasto mercado para ser explorado", conclui o artigo intitulado "Esqueça a União Europeia... aqui é onde o futuro realmente está".
A perda da posição para o Brasil é relativizada pelo "Guardian", que menciona uma outra mudança no ranking que pode servir de consolo aos britânicos. "A única compensação é que a França vai cair em velocidade maior." De acordo com o jornal, Sarkozy ainda se gaba da quinta posição da economia francesa, mas, até 2020, ela deve cair para a nona posição, atrás da tradicional rival Grã-Bretanha.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Pedágio e telefone sobem


Um presente de Natal e Ano Novo a todos os brasileiros: a partir do dia 29, sobem os preços dos pedágios das rodovias federais e as tarifas de telefonia fixa de longa distância nacional e da cesta de serviços, que inclui assinatura básica e minuto de ligação local. Os aumentos foram autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Quem, por exemplo, passar pela BR-116, que liga São Paulo a Curitiba (Rodovia Régis Bittencourt), vai pagar R$ 1,80 pelo pedágio, que atualmente custa R$ 1,70. O reajuste vale para as praças de Itapecirica da Serra, Miracatu, Juquiá, Cajati, Bara do Turvo e Campina Grande do Sul.
A ANTT também autorizou o reajuste das tarifas de pedágio das rodovias que integram o Pólo Rodoviário de Pelotas (BR-116, 392 e 293/RS), administrado pela concessionária Ecosul. A partir do dia 1º de janeiro, a tarifa passará dos atuais R$ 7,80 para R$ 8,40 nas cinco praças de pedágio: Retiro, Capão Seco, Glória, Pavão e Cristal. Recentemente, a agência também autorizou reajustes para os pedágios de outras rodovias do país. Desde o dia 19 de dezembro, os motoristas que passam pela BR-381, no trecho entre Belo Horizonte e São Paulo, explorado pela concessionária Autopista Fernão Dias, pagam R$ 1,40 em oito praças de pedágio. No estado de São Paulo, a tarifa vale para as praças de Mairiporã e Vargem. Já em Minas Gerais, as praças com a nova tarifa são em Cambuí, Careaçu, Carmo da Cachoeira, em Santo Antônio do Amparo, Carmópolis de Minas e em Itatiaiuçu.
Quem passar pela BR-116, no trecho entre Curitiba e a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, explorado pela Autopista Planalto Sul, vai pagar R$ 3,30 pelo pedágio. O valor é cobrado nas praças de Mandirituba (PR), Campo do Tenente (PR), Monte Castelo (SC), Santa Cecília (SC) e Correia Pinto (SC) e também está em vigor desde o dia 19 de dezembro.
Na BR 153/SP, trecho entre a divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo e a divisa de São Paulo e Paraná, explorado pela concessionária Transbrasiliana, a tarifa aumentou no dia 18 de dezembro. A tarifa para automóveis é de R$ 3,20 nas praças de pedágio de Onda Verde, José Bonifácio, Lins, e Marília, todas no estado de São Paulo. Desde o dia 14 de dezembro estão valendo as novas tarifas para o sistema rodoviário composto pelas rodovias BR-116 e BR-324, na Bahia e as rodovias BA-526 e BA-528, no trecho da divisa entre Bahia e Minas Gerais e o acesso à Base Naval de Aratu, explorado pela ViaBahia. Para as praças da BR 116, o valor do pedágio é de R$ 3 e a tarifa na BR-324 é de R$ 1,70.
No caso da telefonia fixa, A Anatel autorizou reajuste de 1,964% para as empresas Telefônica, CTBC Telecom e Sercomtel, que poderão aplicar um aumento de 1,954%. Para Oi e Embratel, o valor de reajuste máximo ficou em 1,969%.
Os valores foram corrigidos pelo Índice de Serviços de Telecomunicações (IST) e deverão ser divulgados pelas concessionárias 48 horas antes de serem aplicados. Para Telefônica, CTBC Telecom e Sercomtel, foi utilizado para cálculo do reajuste o período de julho de 2010 a julho de 2011. Para Oi e Embratel, o período foi de julho de 2010 a agosto de 2011. A Anatel também atualizou para R$ 0,125 o valor do crédito para telefones públicos. Com isso, o cartão de 20 créditos para uso em orelhões vai custar R$ 2,50, com impostos e contribuições sociais. (Informações da Agência Brasil)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Preocupação e otimismo

                                                                               Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

O pronunciamento de fim de ano da presidente Dilma Rousseff mostrou as linhas gerais de uma administração que ainda busca uma marca, que oscila entre o aprofundamento dos programas sociais e o combate pontual à crise econômica global.
Se por um lado o governo Dilma não decepcionou na condução da economia, por outro se mostrou extremamente tímido em algumas questões vitais para o aperfeiçoamento da jovem democracia brasileira, como por exemplo na área da comunicação, na qual se mostrou refém do oligopólio que controla a informação no país.
O fato de ter trocado meia dúzia de ministros por pressão da mídia revela uma fraqueza inédita na história recente do país. O fato de continuar abastecendo com generosas verbas essas empresas que o fustigam diariamente demonstra que seus estrategistas sofrem de alguma patologia que necessita tratamento urgente.
De qualquer modo, ainda resta tempo para que este governo faça o que o anterior não teve coragem de fazer: regulamentar os meios de comunicação e deixar que os jornalistas criem um conselho nacional, a exemplo de dezenas de outras profissões, a fim de que os abusos que são praticados hoje, impunemente, pela "grande" imprensa, tenham fim, e esse setor de atividade ultrapasse o estágio pré-capitalista em que encontra e ingresse, com muitas décadas de atraso, na idade moderna, na qual todos, sem exceção, se submetem às leis e regulamentos que regem as sociedades.
Nos seus dez minutos em cadeia nacional de rádio e de televisão, ontem, Dilma passou uma mensagem de otimismo para 2012 aos brasileiros. De acordo com ela, o país está se preparando, tomando medidas para enfrentar as adversidades, caso haja no cenário internacional uma piora da situação econômica. "Vamos enfrentar todos os desafios para que uma possível piora no cenário mundial não nos traga maiores problemas", disse.
 Dilma lembrou que o ano de 2011 foi de grande prova, mas que 2012 deverá marcar a consolidação do modelo de desenvolvimento brasileiro. A presidente ressaltou as ofertas de crédito e a redução de impostos como fatores importantes para o desenvolvimento da economia. "Com menos impostos a economia vai crescer mais", destacou. "Vamos começar 2012 com menos tributos para mais de 5 milhões de pequenas empresas no Simples [programa que unifica a arrecadação dos tributos e contribuições devidos pelas micros e pequenas empresas brasileiras]", disse a presidenta, acrescentando que “esses pequenos empreendedores também vão ter mais crédito". "O governo acaba de reduzir o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] de massas, farinhas e pão, o mesmo para o fogão e a geladeira", ressaltou.
A presidente Dilma disse ainda que o governo deverá continuar investindo nas políticas sociais e de distribuição de renda e citou os Programa Minha Casa, Minha Vida e Brasil sem Miséria como políticas que devem ser ampliadas. "Uma coisa especial aumenta minha alegria. O governo vai ampliar políticas de apoio aos mais necessitados", disse. “O Brasil sem Miséria vai se consolidar em 2012. Localizamos 407 mil famílias extremamente pobres que não tinham sido beneficiadas", destacou.
A presidenta disse que terá uma luta incessante contra qualquer tipo de desvio e malfeito. “Vamos continuar reforçando valores éticos e morais, transformando o presente e construindo um belo futuro para nossos filhos e netos." (Com informações da Agência Brasil)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O rei está nu


Problemas técnicos resolvidos, voltamos ao ar, ou melhor, à rede. E o assunto do momento ainda é a privataria tucana.
O livro de Amaury Ribeiro Jr. domina os comentários políticos do país, do mesmo modo que as tentativas patéticas de vários jornalistas de desqualificar o autor, as provas dos crimes que apresenta em sua obra e, por consequência, as próprias denúncias.
Mas, queiram ou não tucanos e assemelhados, os oposicionistas que integram o Parlamento ou que militam na "grande" imprensa, o estrago já foi feito.
Não que ache que o nosso Ministério Público, ou o Congresso, ou quem quer que seja, vá mover uma palha para aprofundar tudo o que o "Privataria" estampa de maneira clara e inequívoca.
No Brasil, as elites ainda têm um poder enorme, são capazes de abafar qualquer escândalo. O capital está em suas mãos - e ele compra o que quiser, consciências incluídas no pacote.
O problema todo da patota que protagoniza o "Privataria" é que, de agora em diante, o esquema sofisticado, as idas e vindas do dinheiro da corrupção, os caminhos tortuosos das falcatruas, são públicos, estão à disposição de quem quiser ficar por dentro de como se rouba neste país. 
É só gastar uns R$ 30, comprar o livro e se deleitar...
E não vai adiantar nada os jornalões continuarem dando uma de paranoicos, fingindo que nada está acontecendo com seus amigos do peito. 
José Serra e sua turma, aquela tucanada que se refestelou nos anos dourados em que puseram o Brasil em liquidação, nunca mais terão a vida fácil que desfrutaram até hoje. 
O grande mérito do livro é justamente esse: mostrar que o rei está nu, que não adianta mais a imprensa, as autoridades, os políticos, os empresários, toda essa gente que vive imersa na corrupção e na hipocrisia, achar que pode continuar a se passar por mocinhos, a dar lições de moral e bons costumes para quem quer que seja.
De um modo ou de outro, este será um país diferente a partir de agora. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fora do ar

Problemas técnicos nos tiraram do ar nesses últimos dias. Mas breve, breve, estaremos de volta.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Um livro e suas lições


O que se aprendeu com esse episódio do livro "A Privataria Tucana" é que a chamada "grande imprensa" já não é mais tão hegemônica assim, tem grandes fissuras e fraquezas, embora ainda seja poderosa como arma dos grupos econômico e social dos quais faz parte.
Outra coisa é que não dá para esperar que ela aja de acordo com nada além dos seus próprios interesses, que são simplesmente negociar informações para quem pagar mais ou para que for amigo.
Jornalismo, hoje, é artigo raro. Um ou outro abnegado se dedica a ele - e sofre as consequências disso.
O episódio serviu ainda para mostrar que a internet já é uma mídia poderosa e que, muito em breve, será tão ou mais importante que todas as outras.
A mobilização para divulgar o livro e os resultados que esse movimento espontâneo apresentou são uma espécie de marco na internet brasileira.
Posso estar enganado, mas neste instante, muita gente que trabalha nos jornalões deve estar se reunindo para tentar entender o que se passou, para ver se eles realmente compreenderam o que é a internet e a sua força.
Tudo isso que estamos vendo pode dar em nada - aliás, é muito provável que, mais uma vez, os nossos ilustres políticos se entendam num grande acordo.
De qualquer forma, porém, um caminho foi descoberto. E ele parece conduzir a um destino cheio de esperança.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A hora é esta


Todo esse pessoal que hoje se mostra indignado com a corrupção tem neste momento uma oportunidade única para dar um golpe de misericórdia nesse monstro que suga grande parte dos recursos da nação. Uma investigação séria dos fatos narrados no livro "A Pirataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., pode marcar a reviravolta dessa luta até agora desigual contra esses delinquentes que agem da forma que agem porque têm a certeza da impunidade.
Fingir que nada que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. coloca em seu livro aconteceu, tentar desqualificar o autor da obra, passar uma borracha sobre esse período negro da história do Brasil são subterfúgios que não mais funcionam nestes tempos em que a informação corre no corpo social com a velocidade da luz.
Se o Brasil não é ainda a grande democracia que muitos de seus cidadãos sonham em ver algum dia é porque até hoje seus líderes se abstiveram de enfrentar alguns de seus maiores problemas.
Agora, eles - de todas as áreas - têm a chance de se redimir de tudo o que deixaram de fazer.
Basta que deixem as instituições funcionar como devem numa república.
Só isso. Nada mais.
Feito isso, todos nós poderemos dormir tranquilos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O homem morre pela boca

                                                                              (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O ex-governador paulista José Serra foi sucinto ao ser perguntado sobre o que achava do livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., no qual figura como um dos protagonistas: "Vou comentar o que sobre lixo? Lixo é lixo."
Junto dele estava seu adversário - ou seria inimigo? - de legenda, o senador mineiro Aécio Neves, que classificou o livro de "literatura menor".
São duas definições interessantes sobre o livro-reportagem, sucesso instantâneo de vendas que narra como um grupo de pessoas ligadas a Serra usou a privatização desenfreada dos anos 90 para embolsar quantias dignas da posição que ocupavam no governo FHC. Desnudam o caráter dos personagens.
Serra, por exemplo, valeu-se de sua já proverbial grosseria, atropelo verbal e falta de tato para encerrar o assunto. A expressão "Lixo é lixo" se enquadra perfeitamente no rol de outras tantas frases que o caracterizam como um dos mais toscos políticos da história brasileira. Para quem duvida, aí vai uma pequena relação das suas pérolas mais conhecidas:
"Minha mãe me considera simpático. Os outros, eu não sei. Eu só tenho certeza a respeito de minha mãe."
"O salário mínimo só poderá ter aumento significativo quando reduzirmos a informalidade no mercado de trabalho. " 
"Se Lula fosse eleito, estaríamos diante de duas possibilidades: ou ele cumpriria seus compromissos assumidos com os empresários e estaríamos diante do maior estelionato eleitoral, depois da eleição de Collor; ou, se tentasse cumprir suas promessas mágicas com a população, levaria o Brasil à ruína."
"Sou insuficientemente simpático." 
"Se eu for eleito, a vaca não vai para o brejo." 
"Sou de pegar o osso e não largar, como um buldogue." 
"Como é que vou ser ministro da Saúde se desmaio quando vejo sangue?" 
"As mortes são uma fatalidade, uma tragédia. Você tem milhares de moradias, em geral em loteamentos clandestinos, lugares inseguros. É difícil as famílias concordarem em mudar de lá quando está tudo bem." (sobre as enchentes em São Paulo) 
"Mandei tirar fotos do Alto Tietê. Na Grande São Paulo, é impressionante a impermeabilização, o que anuncia enchentes no futuro." 
"No meu governo, a cultura será tratada como uma prioridade do desenvolvimento social. Não será privilégio de elites nem objeto de luxo." 
''Hoje são mais 8 audiências, reuniões, entrevistas e, à noite, programa da Luciana Gimenez.'' (no seu twitter)
"O PT está propondo criar 10 milhões de empregos. Se eu quisesse fazer demagogia, proporia 11 milhões. Mas aí seria um concurso de Papai Noel." 
"Eu costumo dizer que o mais inocente deles (dos donos de laboratórios) matou a mãe para ir a um baile de órfãos." 
"Data de pagamento não é uma questão de direitos humanos, mas de disponibilidade de caixa." 
"Não me importo de me atribuírem todos os pecados do mundo, mas, por favor, não digam que eu seria capaz de comer pizza de soja."
"Sempre disse que treino é treino, e jogo é jogo." 
 "Ela (a gripe suína) é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum."
Acho que chega. Afinal, ninguém é de ferro.
Aécio, por seu lado, ao classificar o livro de "literatura menor", apresentou uma faceta desconhecida do público. Já se sabe que ele é um político que gosta das coisas boas da vida, que não despreza os prazeres tão necessários para quem se dedica tanto à causa pública. Mas esse seu lado de admirador da alta literatura era até então desconhecido. Seria bom, portanto, que ele aproveitasse tudo o que aprendeu com os clássicos para rechear os discursos que faz, rasos como a mais monótona planície, repletos dos mais entediantes lugares comuns.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Privatização e privataria


Já que o assunto do momento é a privatização - ou privataria, como é mais apropriado falar -, fiz um esforço de memória para tentar lembrar do tempo em que não existiam essas empresas todas que hoje desfrutam deste imenso mercado consumidor por obra do milagre tucano de repartição das riquezas.
É o caso, por exemplo, da telefonia. Na cidade de São Paulo pré-privataria a gente era obrigado a esperar um bom tempo para conseguir uma linha telefônica. Havia bairros em que a espera era mínima, questão de dias, e outros em que a instalação demorava meses. Havia ainda um mercado paralelo, que se encarregava de suprir as deficiências da Telesp. A linha telefônica era cara, ao ponto de  algumas pessoas aplicarem seu dinheiro nelas. Muita gente lucrava um bocado nesse comércio.
Para suprir esse déficit, principalmente nos condomínios, chegou a haver centrais telefônicas que dividiam uma única linha entre os apartamentos, numa espécie de PABX gigantesco. A coisa funcionava, mas exigia paciência: às vezes era impossível conseguir fazer uma ligação.
O problema da escassez de linhas foi contornado, em parte, quando a telefonia celular teve início. O mercado funcionava do mesmo jeito: existia o oficial e o paralelo. Os aparelhos eram grandes e pesados, mas quebravam um galho. O problema era o preço: custavam uma nota!
O tempo passou, a Telesp acabou, os tucanos fizeram a privatização da telefonia, muitas fortunas foram criadas, a telefonia celular tomou conta do país inteiro, a telefonia fixa foi encolhendo, as chamadas "teles", que dividem entre si o território nacional, ampliaram seus negócios com o surgimento da internet, quase todo mundo hoje tem telefone.
Mas o serviço é satisfatório? Claro que não. As telefônicas estão no topo da lista de reclamações. As tarifas são caras, o serviço que prestam é abaixo da crítica, os investimentos para manutenção e ampliação da rede são feitos a conta-gotas. As teles representam o que há de pior neste capitalismo oligopolizado, em que meia dúzia de empresas dividem um mercado imenso.
O que aconteceu com a telefonia ocorreu, com algumas diferenças, em todos os outros setores privatizados. Em nenhum se conseguiu a excelência apregoada na época em que passaram à propriedade privada.
A privatização é então um mal em si?
Acho que não, acho que depende de como é feita. O mais importante é que o Estado continue a ter o controle  do que as empresas fazem, para evitar que os serviços públicos virem essa bagunça que são hoje.
Pois privatização é algo bem diferente de privataria.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A visão do paranoico


Enquanto na chamada blogosfera o livro de Amaury Ribeiro Jr. "A Privataria Tucana" é o sucesso do dia, na imprensa tradicional, aquela controlada por meia dúzia de famílias - ou "grupos empresariais" -, que formam um dos mais duradouros oligopólios do mundo, é como se ele não existisse.
Os comentários dos internautas são furiosos. Com razão. Afinal, os jornalões continuam com suas "denúncias" seletivas, atingindo os alvos que julga necessário destruir para atingir seu objetivo maior: fazer com que o poder federal volte às mãos de gente confiável, dos amigos de sempre, da turminha do tempo em que este país era bom e hospitaleiro para os negócios.
Mas agir como a avestruz que enfia a cabeça no buraco para não ver o mundo ao seu redor pode não ser a melhor opção para o oligopólio da imprensa. É uma cartada perigosa, pois ignora a existência desse outro meio de comunicação que se firma com uma força extraordinária entre os brasileiros, que é a internet. Agindo desse jeito paranoico, que ignora a realidade e cria a sua própria, os jornalões se isolam em seu próprio mundo, como se fossem publicações de empresas, de clubes, de escolas, que falam apenas para si próprios, quando muito para pessoas que já têm as mesmas ideias.
Nem o auxílio precioso da televisão, que atua em conjunto com a mídia impressa nessa guerra incessante pela retomada do poder, será capaz de impedir que o processo de desmoralização da imprensa tradicional se acentue cada vez mais, até porque a própria TV é vista hoje muito mais como forma de entretenimento do que de informação.
O pacto firmado entre os jornalões e os tucanos e assemelhados não tem apresentado, até agora, nenhuma fissura que possa comprometê-lo. Visto de fora, parece forte o bastante para que continue a produzir estragos consideráveis no governo federal e seus satélites.
Se há, porém, uma fraqueza nessa, aparentemente, indestrutível argamassa que forma tal associação, é justamente essa confiança cega que o oligopólio tem nas suas armas. Afinal, este é um mundo cada vez vez mais dependente da informática, e no qual as crianças e jovens não têm a mínima ideia de qual seja a utilidade - ou a função - de um jornal impresso.
Logo, logo, não só essas publicações farão parte das coleções dos museus, como a própria ideologia que tanto defenderam por anos e anos estará restrita ao estudo de acadêmicos, provavelmente como exemplo maior da insensatez e da cobiça que podem tomar conta do ser humano.

domingo, 11 de dezembro de 2011

O silêncio dos nem tanto inocentes


No começo da semana que passou, o ex-governador paulista e ex-candidato à Presidência da República José Serra foi destaque nos portais da internet - e provavelmente nos jornais impressos, que hoje leio tão pouco. Os títulos das notícias não poderiam ser mais expressivos. Serra mereceu tratamento de grande liderança política, imprescindível para o futuro da nação:
"Serra acha difícil Brasil conseguir cadeira no CS da ONU"
"Serra: Pimentel 'não está acima de qualquer suspeita'"
"Governo Dilma ainda não começou, diz Serra"
"Para Serra, grampo no PSDB é 'gravíssimo'"
"'Drama do atual governo é não saber para onde vai’, critica Serra"
"Serra considera grave notícia de que PSDB foi grampeado"
Nenhuma referência ao livro-bomba lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., "A Privataria Tucana", no qual Serra é destaque.
Estranho isso, né?
Ah! Hoje leio que, segundo o Datafolha, Serra tem a maior rejeição entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, simplesmente o dobro de suas intenções de voto. Isso um ano depois de ele ter concorrido à presidência.
Ou seja, Serra agora é um político absolutamente irrelevante no quadro nacional.
Não sei não, mas alguma coisa anda muito errada com esta nossa imprensa...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O início de tudo


Recebi ontem a fatura dos serviços da NET que assino: R$ 341,67 no total. No mês passado paguei R$ 167,80 pela TV a assinatura, telefone e internet. Olhei mais detalhadamente o documento e reparei que o aumento teve como causa a TV, que passou de R$ 70,00 para R$ 244,00. Com o auxílio de uma lupa, descobri que o plano de TV que tinha foi mudado: do basicão passou a top. O interessante de tudo é que não pedi mudança nenhuma. Gato escaldado, sei que toda vez que você pede alguma alteração para a NET isso acaba em confusão. Já aconteceu comigo várias vezes. Por isso prefiro ficar com o que tenho.
Agora há pouco liguei para a NET para cancelar a assinatura da TV. Não quero mais ter de, de quatro em quatro meses, perder tempo falando com alguma atendente de lá sobre as coisas erradas que surgem ou na fatura ou na lista de canais - toda hora some algum. Gastei bem uns 15 minutos para, no fim, a moça me dizer que alguém do setor de cancelamento iria, posteriormente, entrar em contato comigo.
Fico à espera, paciente como nunca.
De repente ouço uma explosão - um transformador da Eletropaulo foi a causa do barulho. Lógico que a luz imediatamente pifou.
Sorte é que, momentos depois, ela volta - uma semana antes fiquei algumas horas sem energia em casa.
Nos blogs do Paulo Henrique Amorim e do Azenha leio que o livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., está pronto e deve começar a ser vendido nesses dias.
Acho que vou encontrar nele as razões para que serviços como o de telefonia, de televisão, da internet ou de energia elétrica serem a lástima que são neste país.
Vou, enfim, entender tudo direitinho...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Opção pelo interior


Um pouco da estratégia do governo na área de comunicação foi apresentada no 1º Congresso dos Diários do Interior do Brasil, em Brasília, pelos representantes da Secretaria de Comunicação Social (Secom) que foram apresentar seus produtos aos jornais. “O governo acredita na força da mídia regional, por ela falar diretamente ao leitor. Não são jornaizinhos ou televisõezinhas. Acreditamos serem essas, verdadeiramente, as mídias fortes do Brasil, porque são as que falam [mais diretamente] com os leitores, e por serem elas a quem o leitor recorre pela manhã”, disse a diretora do Departamento de Relações com a Imprensa Regional da Secom, Patrícia Linden.
Segundo o diretor de Mídia da Secom, Fabrício Gonçalves Costa, entre os objetivos relativos à publicidade do governo federal estão a diversificação e a desconcentração dos investimentos na mídia, de forma a valorizar os veículos regionais e fomentar a profissionalização dos mercados locais. “Em 2003, tínhamos cadastrados apenas 499 veículos em 2.733 municípios. Em 2010 já tínhamos catalogado 8.094 veículos em 2.733 municípios. Agora, em 2011, o número de veículos jornalísticos cadastrados chegou a 8.435”, disse Costa.
Essa descentralização da verba publicitária explica em parte a campanha que os jornalões fazem contra o governo federal. Além, é claro, do próprio ódio de classe - o patronato, que forma um poderoso oligopólio, nunca aceitou, e nunca vai aceitar, que um partido de esquerda, governo o país impunemente.
De acordo com a Associação dos Diários do Interior (ADI), os 380 jornais diários do interior do Brasil são responsáveis pela produção de 4 milhões de exemplares por dia, com alcance aproximado de 20 milhões leitores. O diretor-executivo da ADI Brasil, Adriano Kalil explicou que entre 1,5% e 3% do faturamento anual desses veículos têm origem em verbas governamentais. “É muito claro que vivemos da nossa região, das nossas abrangências e da situação econômica das nossas localidades. Nossa região é nosso mercado de sobrevivência”, disse. “Não existem jornais de circulação nacional. Existem os de influência nacional”, disse.
Segundo ele, dos 380 jornais diários do interior, 117 estão ligados à Central de Notícias Regionais, entidade que encabeça a integração dos diários regionais brasileiros. Incluindo os que não são diários, o número sobe para 1,9 mil. Segundo ele, assim como o Produto Interno Bruto (PIB) do interior ultrapassou o das capitais, a imprensa do interior, unida, é maior do que a das grandes cidades, em especial a escrita e a radiofônica. “Juntos somos mais fortes [do que a grande mídia], mas precisamos ampliar a presença de nossos veículos fora de nossas fronteiras”, ressaltou. (Com informações da Agência Brasil)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PT reforça a ala esquerda


Uma das críticas mais importantes que fazem ao PT é sobre o fato de ele, no governo, ter assumido as práticas dos partidos tradicionais, abandonando o trabalho de militância e o ideário de esquerda. Em outras palavras, que se aburguesou.
A crítica pode ter uma parte de verdade, mas o PT não é apenas o que se vê no noticiário. Há ainda no partido, felizmente, muita gente que é movida pela paixão, pelo sonho de transformar o mundo numa sociedade mais justa e igualitária. Há muita gente ainda socialista de verdade.
O release que o deputado federal baiano Valmir Assunção distribuiu é exemplo disso. Nele, ele informa a criação de mais uma tendência no PT, a Esquerda Popular e Socialista, "de caráter socialista e com referência filosófica no marxismo", que aglutina "correntes nacionais e regionais à esquerda do partido".
O deputado informa ainda que a nova corrente "tem como compromisso disputar os rumos do PT para que ele se estabeleça como um partido capaz de aprofundar e radicalizar a disputa pela reformas estruturais na perspectiva democrática e popular, defendendo o governo Dilma e aprofundando as reformas iniciadas nos dois mandatos de Lula".
A sua direção nacional foi composta paritariamente por 34 mulheres e homens e conta com mais de 20% de jovens e de negros e negras. Na direção executiva nacional estão Renata Rossi, Angélica Fernandes, Julia Feitosa, Luciana Mandeli e Mauro Rubem, Ivan Alex, Shakespeare Martins e Valmir Assunção.
A íntegra do release sobre a criação da Esquerda Popular e Socialista vai na sequência:

Esquerda Popular e Socialista é a nova tendência nacional do PT
Nova corrente do PT foi fundada em congresso, neste final de semana, na Escola Florestan Fernandes do MST, em Guararema. 
“Agora, agora é pra valer, Esquerda Popular Socialista do PT”. Com o grito de ordem encerrou-se no domingo, 4 de dezembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST, o Congresso Nacional de Fundação da Esquerda Popular e Socialista, a nova tendência nacional do Partido dos Trabalhadores. A Esquerda Popular e Socialista nasce com musculatura política e social e está organizada em 18 Estados brasileiros, fortemente vinculada com os movimentos sociais.
A abertura do Congresso Nacional de Fundação da Esquerda Popular e Socialista aconteceu no dia 2, na sede do PT Nacional, em São Paulo, e contou com a presença de lideranças de outras tendências petistas e de movimentos sociais brasileiros. Nos dois dias seguintes, as atividades ficaram concentradas na Escola Florestan Fernandes.
 De caráter socialista e com referência filosófica no marxismo, a nova EPS aglutina correntes nacionais e regionais à esquerda do partido, e tem como compromisso disputar os rumos do PT para que ele se estabeleça como um partido capaz de aprofundar e radicalizar a disputa pela reformas estruturais na perspectiva democrática e popular, defendendo o governo Dilma e aprofundando as reformas iniciadas nos dois mandatos de Lula.
“A fundação da tendência Esquerda Popular e Socialista representa a possibilidade da realização de um debate capaz de incorporar novos atores e atrizes sociais com uma nova pauta, para que o PT seja o lugar dos lutadores e das lutadoras do povo,” afirma Angélica Fernandes, direção nacional da Esquerda Popular e Socialista e do diretório estadual do PT-SP. Segundo Angélica, a EPS incorpora pautas como o feminismo, a igualdade racial e o combate à homofobia como temas centrais junto à exploração de classe. “A participação positiva dos militantes durante todo o Congresso nos dá certeza de que seremos exitosos na tarefa que nos propomos realizar” conclui otimista.
Para Renata Rossi, do Diretório Nacional do PT e da direção nacional da nova tendência, “os desafios são construir uma política partidária que tenha como elemento central o diálogo com os movimentos sociais e constituir uma política que aponte o socialismo como horizonte estratégico, reafirmando a centralidade da luta dos trabalhadores e das trabalhadoras, que consiga converter nossa força social em força partidária e que aponte o papel da institucionalidade como instrumento capaz de aprofundar a construção de uma sociedade mais justa, sem exploração e opressão de gênero e racial”.
Movimentos sociais
João Paulo, dirigente do MST, afirmou que o movimento terá uma relação prioritária com a Esquerda Popular e Socialista e, num gesto de aproximação, entregou oficialmente uma bandeira do MST à nova tendência.
Presente na abertura do congresso, o deputado federal e líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Teixeira, da corrente Garantia de Luta, disse concordar com os dez pontos programáticos apresentados pela nova tendência. Para Teixeira, “a articulação entre a luta partidária e os movimentos sociais é um ponto extremamente importante para o PT.”
O também deputado federal Arlindo Chinaglia, do Movimento PT, saudou a disposição da criação da nova corrente num momento em que, segundo o deputado, “a maioria está aderindo ao campo majoritário”. Arlindo ressaltou que a luta dos integrantes da nova tendência será árdua, mas necessária e importante.
Segundo o deputado estadual Mauro Rubem (GO), da direção nacional da nova tendência, a Esquerda Popular e Socialista cumpre papel fundamental de trazer para o PT o acúmulo de todas as lutas dos movimentos sociais e sindicais do país. “O desafio é retomar essa centralidade do PT, na qual a presença da luta é o critério da verdade. Os lutadores e lutadoras que querem transformar o Brasil têm que ver no PT o instrumento que deve estar presente na luta do povo. A nossa tendência cria essa ferramenta dentro do partido”, afirma o parlamentar de Goiás.
Também presente na abertura do Congresso, Ricardo Gebrin, da Consulta Popular, afirmou ver com bons olhos o movimento da nova tendência que retoma os conceitos do Encontro do PT de 1987 e remonta o debate do programa democrático e popular. Gebrin afirmou que a Consulta Popular irá trabalhar junto com a nova tendência, respeitando a autonomia de cada um.
Desafios do PT 
Na mesa sobre os desafios de organização do PT, as eleições municipais de 2012 foram apontadas como uma das importantes tarefas da nova tendência que tem como prioridade ampliar a representação nos espaços institucionais.
O deputado federal pela Bahia, Valmir Assunção, avaliou ser possível e eleição de muitos vereadores e prefeitos em todo o Brasil vinculados à EPS. Para ele, uma das preocupações centrais é equacionar o fato de o PT estar cada vez mais na institucionalidade, sem deixar de fortalecer os movimentos sociais e o projeto socialista. “O acúmulo que temos nos parlamentos, executivos, movimentos e militância torna possível elegermos um bom número de vereadores e prefeitos, para que eles possam levar as experiências do PT para mudar a vida e a cultura do povo”, analisa Valmir Assunção.
Direção e calendário
O Congresso de Fundação da Esquerda Popular e Socialista encerrou-se no domingo, 4 de dezembro, com a aprovação do nome da nova tendência, do regimento interno e com a eleição da direção que coordenará os trabalhos no próximo período. A direção nacional da Esquerda Popular e Socialista foi composta paritariamente por 34 mulheres e homens e conta com mais de 20% de jovens e de negros e negras. Na direção executiva nacional estão Renata Rossi, Angélica Fernandes, Julia Feitosa, Luciana Mandeli e Mauro Rubem, Ivan Alex, Shakespeare Martins e Valmir Assunção.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Excesso de mediocridade


Sempre gostei de futebol. Sou do tempo em que os estádios recebiam Pelé, Ademir da Guia e Rivellino, para ficar só nos paulistas, que acompanhava mais de perto. Lembro de ter visto jogos pela televisão ainda em preto e branco. Havia o cuidado para que os uniformes dos times fossem de cores que não confundissem o telespectador. Muitas partidas eram transmitidas apenas em videotape. Os mais fanáticos se isolavam do mundo para não acompanhá-las e assistir ao jogo, tarde da noite, como se fosse ao vivo.
Hoje está tudo diferente. Uma transmissão de futebol pela TV é um show caríssimo, mais que um esporte. Os clubes do país praticamente dependem financeiramente da televisão, no caso, da Globo, que é quem detém os direitos para transmitir os principais campeonatos.
Outro dia, às vésperas da decisão do campeonato brasileiro, o ex-manda-chuva da Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, disse que a TV transmite jogos em excesso. Ele acha isso um erro: a audiência poderia ser maior se apenas as partidas mais importantes passassem na TV aberta. A Globo não gostou e contestou sua fala, afirmando que a audiência média dos jogos neste ano é praticamente igual à do ano passado.
O fato, porém, é que o Ibope da Globo do final do Brasileirão foi de 29 pontos, um ponto abaixo do obtido pelo jogo Corinthians x São Paulo, meses atrás, numa quarta-feira.
Queiram ou não os globais, a audiência foi decepcionante tendo em vista o carnaval que se criou para a final. A emissora, que investiu pesadíssimo para ficar com os direitos de transmissão do campeonato, pode ter superestimado o gosto do brasileiro pelo futebol.
Afinal, não há paixão que resista a jogos tão ruins e jogadores tão medíocres quanto os do Brasileirão recém-terminado.
Tudo em excesso cansa. Até a mais fina iguaria se torna arroz com feijão se for oferecida no dia a dia. Por que o futebol deveria ser diferente?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O quarto poder


Desde quando eu era criança - e isso foi há muito tempo - ouvia que a imprensa era o quarto poder. Milhares de artigos e livros foram escritos sobre esse tema, Hollywood se esbaldou com produções que mostraram como a imprensa pode modificar o comportamento da sociedade, mas nunca se viu, na prática, tantos e tão rápidos efeitos desse poder quanto agora no Brasil.
É impressionante como a imprensa manda e desmanda, faz o que bem entende, prende e arrebenta sem que ninguém consiga deter a sua fúria seletiva - pois é isso o que acontece, a nossa imprensa atua apenas em benefício próprio, ou da classe social que representa, em prol dos interesses de grupos econômicos, nunca pelo bem-estar da sociedade.
Um bom exemplo disso é essa onda moralista atual, que sufoca o governo federal e poupa os outros, dos amigos. É como se a corrupção, esse mal que está entranhado secularmente em todos os setores da administração pública e na chamada "iniciativa privada", fosse localizada aqui e ali, e bastaria defenestrar alguns poucos maus elementos para que o país ficasse mais leve e digno.
Ao agir assim a imprensa deixa de ser imprensa, se transforma numa outra entidade, um poder auxiliar das forças que querem reconduzir a nação à idade das trevas, ao tempo da Casa Grande e Senzala - projeto interrompido pela ascensão do PT ao Executivo federal.
Não há como negar que essa guerra está sendo muito bem conduzida pela oposição, não a parlamentar, que é constituída por meia dúzia de bufões sem importância, mas sim por competentes profissionais que confundem, mascaram, iludem e provocam reações apaixonadas na opinião pública.
O governo Lula não foi capaz de derrotar essas forças.
O governo Dilma incorre no mesmo erro de tratar de maneira republicana, com civilidade, quem despreza as noções mais elementares da vida social, quem faz e segue suas próprias leis, quem persegue, julga, condena  e executa, sem piedade, seus desafetos ou qualquer um que esteja atrapalhando seus planos.
E eles têm como alvo, todos sabem, a própria presidente Dilma.
Ela que se cuide. Depois de seus ministros, vai chegar a sua vez.

As bobagens de FHC

      FHC: "Vida de rico é muito chata" (Foto: Renato Araújo/ABr)


A frase "Não vamos prometer o que não dá para fazer. Não é para transformar todo mundo em rico. Nem sei se vale a pena, porque a vida de rico, em geral, é muito chata" foi escolhida como uma das maiores bobagens ditas em todos os tempos por um político pelos autores do "Book of All-Time Stupidest: Top 10 Lists", Ross e Kathryn Petras.
A autoria é do nosso FHC, o presidente que quebrou o Brasil três vezes e que hoje gasta seu tempo tentando provar que não fez o que fez e que não disse o que disse - a ele é atribuída também o "Esqueçam tudo o que eu escrevi", que ele jura nunca ter proferido.
Ross e Katthryn Petras fizeram, porém, uma pesquisa incompleta. Pelo menos no caso do nosso ex-presidente, o imortal "Príncipe dos Sociólogos". Se tivessem demorado mais no Google certamente encontrariam pelo menos umas dezenas de outras frases exemplares de FHC, verdadeiras joias do bestialógico nacional.
Algumas delas, poucas num universo bem mais amplo, vão a seguir:

 "Não existe esse fenômeno de gente morrendo de fome no Brasil." (2002, comentando a situação social do país.)
"Vamos vencer, vença quem vencer." (2002, mostrando tranqüilidade diante de qualquer resultado na eleição presidencial.)
"Logo que eu iniciei o governo, eu disse que era fácil governar o Brasil. Talvez tivesse que refazer o que disse. Não dá mais para viver em um país tropical." (2002, gripado, ao receber o presidente do Timor Leste.)
"Quero dar as boas-vindas ao povo chileno." (1996, falando como anfitrião ao desembarcar no Chile, na qualidade de convidado)
"São uns ignorantes. (1998, irritado com os críticos de sua aula inaugural na faculdade do Hospital Sarah Kubitschek.)
"São vagabundos. (1998, sobre os brasileiros que se aposentam com menos de 50 anos.)
"Eu sempre gosto de elogios."(1998, sobre a declaração de Fidel Castro, que o chamou de audaz e inteligente.)
"Não fui eleito para ser o gerente da crise." (1999, no discurso de posse do segundo mandato.)
"O Rio é uma maravilha. Falam em crise e esse pessoal todo na praia!"(1999, para o governador Anthony Garotinho, sobrevoando a Praia de Copacabana.)
"Essa obsessão de parar de trabalhar a uma certa idade vai criar problemas na Previdência, que já são desagradáveis por causa do aspecto financeiro."(1999, sobre a aposentadoria.)
"Me sinto coroado o rei da Eslováquia."(2001, colocando o chapéu e empunhando a arma de um herói popular eslovaco, presente do presidente Rudolf Schuster, em visita ao Brasil.)
"Se a pessoa não consegue produzir, coitada, vai ser professor."(2001, sobre a angústia dos pesquisadores bolsistas.)
 "Tem muito pobre. Não tem outra conclusão, tem muito pobre." ( 2002, reconhecendo que, apesar dos avanços na área social, ainda há muito o que fazer.)

E, por fim, uma impressionante coletânea da matéria que a revista Piauí fez com ele em 2009:

"Essa coisa de ser brasileiro é quase uma obrigação."
"Como eu ia dizendo, é bom ser brasileiro: ninguém dá bola."
"Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí. A saúde melhorou, a educação melhorou e aos poucos a infraestrutura se acertará. Mas não vai haver nenhum espetáculo de crescimento, nada que se compare à China ou à Índia. Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo."
"Quais são as instituições que dão coesão à sociedade ? Família, religião, partido, escola. No Brasil, tudo isso fracassou."
"No meu governo universalizamos o acesso à escola, mas para quê ? O que se ensina ali é um desastre."
"A parada de 7 de setembro é uma palhaçada."
"Parada militar no Brasil é pobre pra burro. Brasileiro não sabe marchar. Eles sambam … A cada bandeira de regimento a gente tinha que levantar, era um senta levanta infindável. Em setembro venta muito em Brasília e o cabelo fica ao contrário."

domingo, 4 de dezembro de 2011

O mundo ideal dos patrões


O novo passaralho no Estadão, dias depois das bicadas que destroçaram não se sabe quantos na Editora Globo, que, por sua vez, foram antecedidas pela passagem da Carniceira pela redação da Folha, mostra que os empresários do setor de comunicação não estão para brincadeira.
Em poucos meses, mais de cem jornalistas foram demitidos. Não sei quantos deles tinham diploma de curso superior específico da função. Sei apenas que a decisão do Supremo Tribunal Federal que, em 2009, na prática acabou com a profissão de jornalista contribuiu muito para essa carnificina.
A notícia de que o Senado aprovou, em primeira votação, a PEC que reinstitui a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício profissional provocou, mais uma vez, a formação de uma frente única do patronato para evitar que os jornalistas tenham um mínimo de organização, pois como se sabe, não faz nenhum sentido a existência de um sindicato se não existe uma categoria que ele possa representar.
A verdade é uma só: os patrões não querem que existam jornalistas porque o mundo que idealizam é aquele no qual eles podem contratar qualquer um pelo salário que quiserem, sem serem obrigados a, sequer, pagar um piso, e, do mesmo modo, fazer quantas demissões julgarem precisas para manter seus lucros sem dar satisfação a quem quer que seja.
Essa história de que eles estão lutando pela liberdade de expressão é a maior mentira que existe. Até hoje, em nenhum momento os jornais deixaram de publicar o que bem quiseram. A tal liberdade de expressão que tanto dizem prezar nunca existiu para eles. No Brasil, o que há é um oligopólio no setor de comunicação: algumas poucas famílias, à frente de grupos empresariais, controlam as informações que são levadas ao público. A mais feroz censura é exercida por eles. Só publicam o que querem.
Além disso, para tais grupos, a única função das suas empresas é gerar lucro. Não existe nenhuma preocupação social, ou até mesmo com os mais elementares princípios do jornalismo.
A decisão do Supremo de acabar com a profissão de jornalista foi uma decorrência de anos e anos de uma intensa campanha dos patrões.
A lei que regulamentou a profissão, em plena ditadura militar, foi uma conquista histórica da categoria, que brigava por isso desde que o jornalismo passou a ter importância na sociedade brasileira.
Não dá para entender que, em pleno século XXI, depois de tantos avanços sociais à custa de muita luta e sofrimento, exista quem defenda, fora do campo patronal, a desregulamentação completa de um setor vital para o país como o da comunicação.
Equiparar, como fez o ministro do Supremo Gilmar Dantas, um jornalista a um cozinheiro, não é só sinal de um cinismo que retira do autor da frase toda a autoridade moral para exercer a sua função na magistratura. É também sintoma da mais profunda ignorância sobre questões aparentemente complicadas, mas muito simples em sua essência.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jornalistas vencem o 1º round


Eis que finalmente surge uma boa notícia neste fim de ano miserável que os jornalistas vivem, em meio às poderosas bicadas desse vil passaralho, que destroem o pouco que ainda resta de dignidade da profissão: o Senado aprovou, em primeiro turno, a PEC 33/2009, do senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), que restitui a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista.
Ainda será preciso aprovar o projeto em segundo turno. A matéria segue na ordem do dia do plenário até que um novo acordo entre lideranças partidárias permita sua votação.
A PEC 33/2009 inclui no texto constitucional o artigo 220-A para estabelecer que o exercício da profissão de jornalista seja "privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação".
A proposta prevê, no entanto, a possibilidade de atuação da figura do colaborador, sem vínculo empregatício com as empresas, para os não graduados, e também daqueles que conseguiram o registro profissional sem possuir diploma, antes da edição da lei.
A medida tenta neutralizar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de junho de 2009, que revogou a exigência do diploma para jornalistas. Os ministros consideraram que o decreto-lei 972 de 1969, que exige o documento, é incompatível com a Constituição, que garante a liberdade de expressão e de comunicação. A exigência do diploma, de acordo com esse ponto de vista, seria um resquício da ditadura militar, criada somente para afastar dos meios de comunicação intelectuais, políticos e artistas que se opunham ao regime - que piada!
A PEC passou por 65 votos a 7. O relator da matéria no Senado, Inácio Arruda (PCdoB-CE,) argumentou que o projeto resgata a dignidade profissional dos jornalistas, ao fixar na própria Constituição que a atividade será privativa de portadores de diploma de curso superior.
Além disso, por se tratar de uma profissão que desempenha função social, o jornalismo precisa de formação teórica, cultural e técnica adequada, além de amplo conhecimento da realidade. "A exigência do diploma de jornalismo não criará nenhum embaraço para a liberdade de expressão ou do pensamento. Sinceramente, o que cria esse embaraço é o monopólio exercido na mídia brasileira. É outra coisa que o Congresso tem obrigação de examinar. Tem matéria sobre monopólio de uso da mídia Eu quero ver a opinião de senadores sobre o monopólio da comunicação. Não tem nada a ver com a profissão de jornalista", argumentou Inácio Arruda, ao rebater as críticas de senadores contrários ao projeto de que a exigência do diploma feria a liberdade de expressão.
Entre os que votaram contra estava o notório Fernando Collor (PTB-AL). Segundo ele, a PEC impede a "total liberdade da expressão" da sociedade. Collor também criticou os cursos de jornalismo, que estariam formando "analfabetos funcionais" profissionais que não conhecem a língua portuguesa nem cumprem as regras básicas do jornalismo, como apurar bem uma notícia. "Eles não aprendem na universidade aquilo que, nós, outros jornalistas, que não tivemos de passar por esses bancos universitários para exerceremos livremente a nossa profissão, aprendemos no dia a dia e na labuta das redações",afirmou o senador, que entre seu currículo de "jornalista" consta a ameaça de agressão física a vários "colegas".
Outro argumento contrário foi de que o projeto seria inconstitucional, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se posicionou pela não necessidade do diploma para a profissão. Para o líder do DEM, Demóstenes Torres (GO), a expectativa dos detentores de diploma de jornalismo de, por meio de Emenda Constitucional, mudar a decisão do Supremo será frustrada. "O Supremo Tribunal Federal, há mais de uma década, vem dizendo que emendas à Constituição também podem ser declaradas inconstitucionais. E o Supremo, obviamente, vai considerar inconstitucional esta matéria. Porque o que o tribunal decidiu, em relação a profissões, é que tem que ser preservado o direito fundamental de exercer a profissão, de exercê-la livremente, de ter direito à manifestação. Foi isso que decidiu o Supremo e é isso que vai decidir o Supremo de novo", enfatizou o parlamentar, que ficou conhecido por sua aversão à política de cotas raciais.
Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, a expressiva votação a favor da PEC foi emblemática. “Representou o desejo do Senado de corrigir um erro histórico do STF contra a categoria profissional dos jornalistas”, disse.
Na Câmara, também tramita matéria (PEC 386/2009) de mesmo teor, apresentada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Em campanha pela aprovação do projeto, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificou a decisão do STF como "obscurantista". (Com informações da Agência Senado)