sexta-feira, 7 de outubro de 2011

SP e os que vêm de fora


A conclusão do Comunicado nº 115 do Ipea pode não ser uma novidade, já que qualquer um com um mínimo de sensibilidade já percebeu algo parecido, mas não deixa de ser triste saber que, enquanto os migrantes do Nordeste têm a menor renda mensal média da região metropolitana de São Paulo, os estrangeiros se encontram no topo da pirâmide - o que mostra o quanto ainda os governantes têm de fazer para reduzir a desigualdade no país.
Os pernambucanos ganham, em média, R$ 903,20 e os moradores nascidos em outros países recebem R$ 4.058,62, segundo os dados apresentados pelos técnicos de Planejamento e Pesquisa Herton Ellery Araújo e Ana Luiza Machado.
O estudo "Perfil dos Migrantes em São Paulo" usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) de 2009 e englobou migrantes entre 30 e 60 anos de idade, uma etapa em que, segundo Araújo, o trabalhador estaria mais estabilizado profissionalmente.
 A escolaridade pode ser um dado indicador da diferença na renda mensal entre nordestinos e estrangeiros: enquanto 46% dos chegados do exterior têm ensino superior, apenas 5% de quem sai dos Estados do Nordeste para São Paulo concluíram a universidade e 50% não completaram o ensino fundamental.
Os migrantes do exterior costumam ganhar o dobro dos próprios paulistas – grupo que também apresenta uma alta escolaridade média. “Os estrangeiros são a elite de São Paulo”, apontou Araújo.
Outra constatação que não surpreende, mas que reforça a percepção de que o alardeado dinamismo da capital paulista depende muito dos que vêm de fora para tentar a sorte nela é que 45% de sua população adulta é originária de outros Estados ou países, proporção só superada pelo Distrito Federal, onde 75% dos habitantes não nasceram na capital federal.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O hábito do cachimbo


Um amigo me escreveu dizendo que eu deveria ler o artigo publicado no FT sobre o Brasil. Assim, veria que é uma bobagem essa história de ficarmos dando conselhos aos europeus.
Li o artigo. Encontrei nele uma série de chavões colonialistas, um tom absolutamente ressentido, e nenhum argumento que pudesse concluir que o Brasil não tem nada a ensinar à turma lá de cima.
De onde partiu, não se poderia esperar outra coisa. Os ingleses, responsáveis pelo FT, em particular, têm bons motivos para se sentir ultrajados pelas opiniões da presidente Dilma Rousseff.
Afinal, nos últimos tempos, foram relegados a um segundo plano incômodo, quase vexatório, no cenário mundial, patinando economicamente e se tornando, politicamente, uma mera linha auxiliar dos interesses americanos.
O Brasil, em contrapartida, se elevou notavelmente no conceito dos povos, e hoje faz parte da direção das mais importantes entidades e é protagonista de praticamente todos os fóruns internacionais relevantes.
Dá para entender o artigo do FT. É simplesmente fruto da inveja de quem, por genética ou por herança cultural, não concebe a ascensão de quem não seja "nobre", um seu "igual".
Interessante é ver que todas as manifestações dessa tal "nobreza" nada mais são agora que um símbolo de um poder perdido faz muitos anos, por excesso de arrogância e a mais completa ignorância sobre o curso da história.
Diz um ditado popular que o hábito do cachimbo faz a boca torta: ele cai como uma luva para a autora do tal artigo.
Quanto ao meu amigo, sinto muito por ele não ter ainda se livrado do maldito complexo de vira-latas que ainda, e apesar de tudo, domina muitos dos bons brasileiros.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Montadoras sob suspeita



Um bom tempo depois que o jornalista Joel Leite publicou em seu blog uma série de matérias provando que o carro brasileiro é o mais caro do mundo porque no Brasil as montadoras têm uma ganância fora do comum - e não porque pagam tanto imposto quanto dizem -, um grupo de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) resolveu pedir ao Ministério da Fazenda que investigue a suspeita de prática de lucro abusivo pelas empresas automobilísticas instaladas no país.
O pedido partiu depois que o órgão percebeu que um carro no Brasil pode custar o dobro do que um do mesmo modelo nos Estados Unidos. Os procuradores também pediram que o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) faça um estudo para verificar se regulação do setor está obsoleta. Segundo eles, uma lei de 1979, conhecida como Lei Ferrari, que dispõe sobre a distribuição de concessões comerciais entre montadoras e distribuidoras de veículos, pode estar prejudicando a estrutura de preços.
 O pedido de investigação foi aprovado em voto coletivo pela 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, órgão do MPF responsável pela defesa dos direitos do consumidor. “A Lei Ferrari pode ter tido algum papel, há 30 anos, na época da reestruturação dos mercados de veículos no Brasil, em uma época em que vigia uma economia de controle de preços. Mas, hoje, existem fortes suspeitas de que essa lei é desnecessária e até prejudicial”, destaca o voto.
A Lei Ferrari delimitava áreas territoriais para a atuação das concessionárias de veículos. Em 1990, sete artigos foram modificados e um, revogado. No entanto, a atual regulação continua a impor restrições às distribuidoras de veículos. O conceito de área territorial foi substituído por área operacional, mas uma concessionária não pode atuar fora da sua área. Segundo os procuradores, essa limitação pode inibir a livre concorrência entre os comerciantes.
O Ministério Público estabeleceu 180 dias para que o Ministério da Fazenda conclua a investigação. Por meio da assessoria de imprensa, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), responsável por coordenar as ações judiciais e demandas de outros órgãos que envolvem o ministério, informou que só poderá tomar providências após ser notificada oficialmente, o que poderá levar semanas. (Informações da Agência Brasil)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ajuda aos ricos


Parece incrível, mas o planeta Terra mudou tanto que o Brasil, até outro dia apenas mais um integrante do chamado, perjorativamente, Terceiro Mundo, hoje é solicitado para dar conselhos e até para prestar ajuda aos ricos do Primeiro Mundo, que passam por momentos difíceis. Hoje, terça-feira, a presidenta Dilma Rousseff disse que a comunidade internacional deve buscar a união no combate aos impactos gerados pela crise econômica internacional e que o Brasil está à disposição dos europeus para colaborar nas medidas que forem necessárias a fim de impedir uma piora na situação.
No momento, vários países da Zona do Euro, como a Grécia e a Espanha, esforçam-se para evitar que a crise acentue os problemas internos de desemprego e alta de impostos e tarifas. “Essa associação é mais urgente”, alertou a presidenta durante a 5ª Cúpula Brasil-União Europeia. “Estamos agora diante do aumento do risco soberano. Acredito que é fundamental a coordenação política entre os países para fazer face [ao agravamento da crise]”, acrescentou ela.
Dilma se reuniu por cerca de duas horas, durante a cúpula, com os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, além de ministros brasileiros. No encontro, os temas que dominaram os debates foram o agravamento da crise econômica internacional, a violência na Síria e os conflitos nos países árabes, além de acordos multilaterais. “É necessário que se busque o combate ao desemprego para que as populações não percam a esperança no futuro. A recessão traz o aumento das desigualdades sociais”, disse.
Segundo ela, é possível conciliar o estímulo à geração de emprego com a responsabilidade fiscal. Dilma lembrou que há 20 dias a América Latina era “sinônimo de crise” e agora mostra que é capaz de superação. Em seguida, Dilma acrescentou que é preciso “evitar sombrios desdobramentos políticos" e que "o Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades”. “Somos parceiros da União Europeia e [os europeus] podem contar com o Brasil”, destacou.
Para a presidente, a solução para a crise econômica internacional passa por uma reavaliação do sistema financeiro mundial. Segundo ela, classificado como um “sistema ineficaz”, que se comprovou com o fato de a crise ter se acentuado. Dilma disse também que é fundamental aliar políticas macroeconômicas com a geração de emprego e renda. Dilma disse ainda que os ministros da Fazenda da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) vão se reunir nos próximos dias para coordenar ações para a Cúpula do G-20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo). O encontro ocorrerá nos dias 3 e 4 de novembro, em Cannes, no Sul da França. “As Nações Unidas precisam estar à altura de um mundo multipolar”, advertiu. (Informações da Agência Brasil)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rede de intrigas


A Copa do Mundo de futebol de 2014 ainda vai render muito assunto - e muita polêmica - até que a bola role. A última confusão é sobre o Projeto de Lei Geral da Copa que foi enviado ao Congresso. Notas de colunistas, antes mesmo que o texto fosse conhecido, já falavam da insatisfação da Fifa com vários pontos dele.
Não é de agora que tentam indispor o governo federal e a Fifa. Desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu seu cargo, ela tem procurado se afastar, com toda a lógica, do cartola-mor do futebol brasileiro, o suspeitíssimo Ricardo Teixeira.
E parece que ele sentiu o golpe e tenta contra-atacar com as armas de que dispõe. Uma delas é a rede de apoiadores que tem na imprensa, gente que deve favores à CBF, que viajou pelo mundo afora às custas da entidade, e hoje é solicitada a dar uma ajudazinha ao chefão, espalhando boatos e semeando fofocas com a única finalidade de azedar as relações entre o governo federal e a Fifa. Com isso Teixeira pretende mostrar que ainda é peça importante no jogo de bastidores, já que tem bom trânsito entre a cartolagem de Zurique.
É certo que há mesmo pontos do Projeto de Lei Geral da Copa que não agradam à Fifa. Mas entre existir divergências e elas motivarem o cancelamento da Copa de 2014 no Brasil, como alguns andaram escrevendo, vai uma distância enorme.
A presidente Dilma pretende esclarecer com a Fifa todos os pontos do projeto e chegar a um entendimento. Ela sabe que a realização da Copa no Brasil será um acontecimento de enorme repercussão para o país, em geral, e para ela, em particular.
Uma Copa bem organizada renderá dividendos políticos inestimáveis. O seu fracasso poderá dar uma sobrevida a uma oposição que hoje se encontra na UTI, respirando graças, principalmente, a transfusões de "escândalos" fabricados pela imprensa, irmã de sangue e de ideais.