sábado, 21 de maio de 2011

Para ir atrás do sonho


Há, basicamente, dois tipos de pessoas: as que se conformam com tudo e as que vão atrás do que querem. O problema é que, neste mundo complexo de hoje, realizar um sonho é, muitas vezes, quase impossível. Para o artista, então, a dificuldade se torna maior, pois ele precisa conciliar duas coisas aparentemente antagônicas, que são o ato de criar e levar sua obra ao público.
O artista iniciante, então, sofre ainda mais, pois quem vai querer apostar num novato se existem outros tantos por aí que representam, vamos dizer assim, um investimento muito mais seguro?
Como todos estão cansados de saber, a tal da indústria cultural, ou de entretenimento, nada é mais que uma peça do sistema capitalista e, como tal, tem de se sujeitar às suas leis. Para azar do artista, as regras são duras, quase selvagens, e capazes de ferir profundamente quem não se sujeitar a elas.
Felizmente existem pessoas criativas o suficiente para tornar mais fácil a vida dos artistas - e dos criadores em geral. Outro dia, por meio de minha mulher, descobri o site movere.me, que faz um trabalho notável de incentivo a todos os que se dedicam à espinhosa carreira artística.
Basicamente, o site capta recursos para que artistas possam desenvolver seus projetos - é uma espécie de Lei Rouanet descomplicada, que permite, também, que qualquer pessoa possa contribuir para o sucesso de um determinado projeto. E com uma característica importante: se o projeto não atingir a meta financeira necessária para sua realização, quem contribuiu para ele recebe a grana que investiu de volta.
Muito bem feito, o site traz todas as explicações necessárias para os autores e para os chamados incentivadores. Também, a relação dos projetos que estão sendo desenvolvidos e em que pé se encontram - quanto foi arrecadado, quanto falta para a meta e quando serão encerrados.
Achei o negócio tão legal que procurei falar com o pessoal que cuida dele. Fui atendido pela Vanessa Oliveira, que, gentilmente, respondeu algumas perguntas que fiz para complementar as informações que se encontram no site. Espero que o nosso bate-papo sirva de incentivo a outras pessoas que creem ser possível fazer coisas legais que ajudem a deixar este mundo melhor.
Com a palavra, então, a Vanessa:

Há quanto tempo existe o site?
Foi lançando em março de 2011.
Quem teve a ideia de formá-lo?
O movere.me surgiu por conta dessas nossas necessidades como autor e incentivador. No caso, o Bruno Pereira queria dar início a uma editora, diferente do padrão encontrado, onde as pessoas decidiriam se o livro seria ou não publicado. Isso foi em 2009. Começou a fazer pesquisas sobre modelos de negócio parecidos com esse e conheceu o crowdfunding. No início, ele queria encaixar a editora em algum site que adotasse o modelo, mas não encontrou aqui no país. E batendo papo com amigos no bar veio a pergunta: “Por que você não faz a sua própria plataforma? Isso pode ser uma oportunidade de negócios incrível para o Brasil.”. Era o Thiago Fontes, que foi um dos sócio-fundadores nessa empreitada (hoje ele já resolveu focar em uma outra startup de outro ramo). No dia seguinte, chamaram o Enzo, outro amigo, grande desenvolvedor e, hoje, também sócio fundador do site. Eu estou com eles desde o início também, pesquisando e vendo qual seria a melhor maneira de construir essa plataforma de mobilização.
Quem são os seus responsáveis?
Hoje estão à frente Bruno Pereira, Enzo Motta, Bernardo Tauz, Vanessa Oliveira (eu) junto com outros colaboradores como André Nascimento, Priscila Ramos, enfim, pessoas que acreditam no projeto e nos ajudam. A gente brinca dizendo que pagamos essas pessoas com sorriso, amizade e cerveja, no momento.
Qual foi o investimento feito?
Por volta de R$5 mil.
Há prazo para recuperar o investimento?
A gente espera recuperar o investimento nos 4 ou 6 próximos meses.
Como é feita a divulgação do site?
Através das redes socias do movere, como twitter, facebook, blog, material de divulgação para os autores do projeto como flyer, banner, e também do trabalho que é feito junto com a Usina da Comunicação, nossa assessoria.
Como tem sido a procura dos artistas para divulgarem seus projetos?
Eles tem ficado bem empolgados com a ideia, mas ainda querendo conhecer mais sobre o modelo de negócio antes de articular seus projetos. O que a gente tenta mostrar é que o indivíduo tem a chance de escolher o que ele gosta, o que ele gostaria que acontecesse. A gente passa a não depender exclusivamente de empresas através dessa mobilização. E isso é um momento incrível! Quanto mais interessante for a ideia e a motivação do autor em realizá-la, junto com uma divulgação bem feita, grandes chances de mover as pessoas e o mundo. Ele testa a aprovação do público em relação à sua ideia sem gastar nada, sem nem tirar do papel seus pensamento. E em tempos de internet, a maior arma desse autor para divulgar são as redes como twitter, facebook, orkut, que é tudo de graça. Com certeza, esse é o momento de fazer acontecer, não acha? Depende mais da determinação do autor, afinal, as ferramentas já existem.

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