domingo, 6 de junho de 2010

O que pensam os jornalistas

A esmagadora maioria dos jornalistas brasileiros - 89,5% - acha que existe autocensura nas empresas jornalísticas. Os profissionais também definem o profissional brasileiro como sensacionalista (73,6%) e número quase igual (74,1%) acredita que o jornalismo exercido no país é superficial.
Os números nada lisonjeiros fazem parte da pesquisa "Jornalistas Brasileiros no Século 21, visões sobre a profissão", que a jornalista e professora de Jornalismo da California State University de Long Beach, Heloiza Golbspan Herscovitz, concluiu. No seu trabalho, ela ouviu 624 profissionais de todo o país, no ano passado.
Segundo o levantamento, apenas 9,4% dos jornalistas concordou muito que o jornalismo feito no país segue as normas éticas e 55,7% concordou um pouco com essa afirmação. Em suma, dois terços concordam com a afirmação e aproximadamente um terço discorda.
Outros dados interessantes: 45,8% dos jornalistas se definem como sendo de esquerda (resultado semelhante à pesquisa feita por Heloiza em 1998 com jornalistas de São Paulo) e 36,1% se definem como sendo de centro-esquerda, mas poucos se identificam com algum partido político, ao contrário do que foi respondido em 1998. Em 2009, 90,4% declararam não apoiar nenhum partido político; só 6,1% apoiam o PT; e 3,5 % apoiam o PSDB. A maioria não pertence a organizações profissionais (80,5%) e 38% são filiados à Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais.
Heloiza observa que, "como em pesquisas anteriores e em sintonia com jornalistas de outros países", os entrevistados acreditam que o papel da mídia é o de investigar e interpretar os fatos , principalmente os que se referem às ações do governo (79%) e aos grandes problemas nacionais (72,2%). A discussão de temas políticos aparece em terceiro lugar, como indicaram 63,4% da amostra; a discussão de grandes problemas internacionais aparece em quarto lugar (54,8%); e a necessidade de motivar os cidadãos a discutirem temas de interesse público aparece em quinto lugar (51,4%).
O estudo será publicado este ano no livro "The Global Journalist", editado pelo pesquisador David Weaver e o conteúdo da pesquisa também será apresentado em julho na conferência da Association for Media and Communication Research - IAMCR – em Braga, Portugal (http://iamcr.org/congress/braga-2010).

sábado, 5 de junho de 2010

A história de um dossiê


Para pôr os pingos nos is, segue abaixo matéria de Leandro Fortes, extraída do site da revista Carta Capital.
Acho que põe um ponto final nessa história de "dossiês", tão apreciada pelo comando de campanha de José Serra e pela camada "grande imprensa".

O dossiê do dossiê do dossiê...

No modorrento feriado de Corpus Christi, os leitores dos jornais foram inundados com informações sobre uma trama que envolveria a fabricação de dossiês contra o candidato tucano à Presidência, José Serra, produzidos por gente ligada ao comitê da adversária Dilma Rousseff. O time de espiões teria sido montado pelo jornalista Luiz Lanzetta, dono da agência Lanza, responsável pela contratação de funcionários para a área de comunicação da campanha petista. O primeiro desses documentos seria um relatório sobre as ligações de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Uma história tão antiga quanto os dinossauros e já relatada inúmeras vezes na última década, inclusive por CartaCapital.
A notícia sobre o suposto dossiê, que ninguém sabe dizer se existe de fato, veio a público em uma reportagem confusa da revista Veja e ganhou lentamente as páginas dos jornais durante a semana até ser brindada com uma forte rea-ção do PSDB e de Serra. Na quarta-feira 2, o pré-candidato tucano acusou Dilma Rousseff de estar por trás da “baixaria” e cobrou explicações. A petista disse que a acusação era uma “falsidade” e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, informou que a cúpula da legenda havia decidido interpelar Serra na Justiça por conta das declarações.
Os boatos sobre a fábrica de dossiês parecem ser fruto de uma disputa interna entre dois grupos petistas interessados em comandar a estrutura de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, um ligado a Lanzetta, outro ao deputado estadual Rui Falcão. A origem dessa confusão era, porém, desconhecida do público, até agora. CartaCapital teve acesso a parte do tal “dossiê” que gerou toda essa especulação. Trata-se, na verdade, de um livro ainda não publicado com 14 capítulos intitulado Os Porões da Privataria, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC. Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário.
É essa a origem das informações sobre a existência do tal “dossiê” contra a filha de Serra. E a razão de os tucanos terem lançado um ataque preventivo às informações que constam do livro. De fato, Ribeiro Jr. dedicou-se a apurar os negócios de Verônica. Repórter experiente com passagens em várias redações da imprensa brasileira, Ribeiro Jr. iniciou as apurações a pedido do seu último empregador, o Grupo Diá-rios Associados, que congrega, entre outros, os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O livro narra, por exemplo, supostos benefícios obtidos por Marin Preciado em instituições financeiras públicas, entre elas o Banco do Brasil, na época em que outro ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, trabalhava lá. Para quem não se lembra, Oliveira ficou famoso após a divulgação de sua famosa frase “no limite da irresponsabilidade” no conjunto dos grampos do BNDES.
Em uma entrevista que será usada como peça de divulgação do livro e à qual CartaCapital teve acesso, Ribeiro Jr. afirma que a investigação que desaguou no livro começou há dois anos. À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.”
A ligação feita entre o nome de Ribeiro Jr. e o anunciado esquema de espionagem do comitê de Dilma deveu-se a um encontro entre ele e Lanzetta, em Brasília, no qual se especulou sobre sua contratação para a equipe de comunicação da campanha petista. Vencedor de três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog, entre muitos outros, Ribeiro Jr., 47 anos, é conhecido por desencavar boas histórias. Herdeiro de uma pizzaria e uma fazenda em Campo Grande (MS) e ocupado com a finalização do livro, o jornalista recusou o convite.
Na entrevista de divulgação do livro, Ribeiro Jr. afirma que a obra estabelece a ligação de diversos tucanos com as privatizações e desnuda inúmeras ações com empresas offshore para fazer entrar no Brasil dinheiro oriundo de paraísos fiscais. “São operações complicadas e necessitam ser explicadas com cuidado para os brasileiros perceberem o quanto foram lesados e em quanto mais poderão ser.”
A aproximação entre Ribeiro Jr. e Lanzetta, contudo, teria sido suficiente para que grupos interessados em ganhar espaço na campanha petista desencadeassem uma onda de boatos sobre a formação de um time de contraespionagem para produzir dossiês contra os tucanos. Diante do precedente dos “aloprados” do PT, a mídia embarcou com entusiasmo na versão depois assumida com tanto vigor pelos próceres tucanos. É mais um não fato da campanha.
O mesmo fenômeno envolveu o ex--delegado federal Onésimo de Souza, especialista em contraespionagem que chegou a oferecer serviços ao PT de vigilância e rastreamento de escutas telefônicas. Como cobrou caro demais, acabou descartado, mas foi apontado como futuro integrante da tal equipe de arapongas de Dilma Rousseff.
Por ordem da pré-candidata, qualquer assunto relativo a dossiê e afins está proibido no comitê de campanha instalado numa casa do Lago Sul de Brasília. Dilma se diz “estarrecida” com as acusações veiculadas, primeiro, na revista Veja e, em seguida, por diversos outros veículos - sempre com foco na suposta espionagem, nunca no conteúdo do suposto dossiê. Aos auxiliares, a petista mandou avisar que não aceitará, “em hipótese alguma”, a confecção de dossiês durante a campanha e demitirá sumariamente quem se envolver com tal expediente.

Das trevas


Já está em vários blogs o texto de divulgação do livro "Os porões da privataria", que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. pretende lançar em capítulos na internet.
As informações que circulam dão conta que o material é responsável pela crise de nervos sofrida por José Serra e seu comando de campanha nos últimos dias - que culminou com a patética tentativa de impingir a feitura de um "dossiê" contra ele por parte da estafe de Dilma Rousseff.
A imprensa, por enquanto, ignora o assunto. Foca o noticiário no tal "dossiê", na verdade uma compilação de informações que estão há muito tempo disponíveis na internet.
Hora ou outra, porém, terá de tocar no tema. Forças ocultas, como diria Jânio Quadros, atuam nos dois lados da disputa presidencial. A guerra de informações está apenas no começo.
O currículo do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que inclui alguns prêmios Esso e Vladimir Herzog e passagens pelas principais redações do país, garante credibilidade ao seu material. Vai ser difícil para o bando tucano escapar de algumas situações, no mínimo, constrangedoras.
Como aperitivo, aí vai o material sobre o livro, que corre a rede. É dinamite pura, com perdão pelo clichê.

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.
Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …
Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.
A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.
(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)
Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).
O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.
A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.
O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.
O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.
Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.
Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.
Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.
De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.
Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…
Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.
(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.
(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O nome das coisas


Se não dá no campo, sempre resta o tapetão!
Dessa forma vai indo a campanha de José Serra à presidência.
Na falta de propostas que empolguem o eleitor, na falta de carisma do candidato, na falta de ideias novas para o país, na falta de diálogo com os próprios aliados, na falta até de alguém que queira ser seu vice, Serra apela para o tapetão.
Tenta, com a ajuda mais que conivente de sua velha aliada - a chamada grande imprensa - tumultuar o meio de campo, tirar o apito do árbitro, roubar a bola, jogar o gato na caixa de força, para virar o jogo.
Essa última história, de um "suposto" dossiê, composto, ao que se sabe, de informações que circulam na internet há bastante tempo, é de lascar.
A turma do Serra poderia, pelo menos, ter mais imaginação, tentar uma outra jogada.
Já a imprensa... Bem, a imprensa, como a gente costumava entender desde pequenininhos, não existe mais.
O que se vê hoje, em seu lugar, é uma coleção de títulos e textos com o mais puro non sense, inacreditáveis até para o mais ardoroso fã do surrealismo.
Quando a pessoa se desliga da realidade, ela pode estar sofrendo de alguma doença mental. Esquizofrenia, provavelmente.
Vai ver que é isso.
Ou então é simplesmente canalhice.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Conversa fiada

Hoje mesmo, no rádio, um jornalista especializado em economia insurgiu-se contra a declaração do presidente Lula defendendo a carga tributária brasileira. Segundo o comentarista, não importa quanto ele paga em imposto, mas sim o que recebe em troca. E isso, afirmou, é zero, nada.
Claro que o tal jornalista não está inscrito no Bolsa Família, não depende uma aposentadoria para viver, não tem seus filhos na escola pública, e está coberto por um caro plano de saúde. Como pertence à elite econômica do país, ignora totalmente os serviços públicos. Isso, porém, não é suficiente para que ele afirme que os impostos no Brasil não têm um retorno social.
Esse tipo de crítica à carga tributária, além de injusta, tem como base a mentira. O Estado brasileiro pode não ser um modelo de perfeição no que se refere ao bem-estar social de seus cidadãos, mas tem procurado, nos últimos anos pelo menos, cumprir com seus deveres constitucionais. Ignorar isso é prova de má-fé.
O fato é que essa discussão superficial sobre o modelo tributário do país vem sendo mantida principalmente pelo bloco tucano-pefelista, que defende o tal do "Estado mínimo", que deixa toda a rede de assistência social nas mãos dos empresários. É a receita certa para o desastre, como se viu em vários países pelo mundo todo.
Equilibrar a carga tributária, fazendo com que quem ganha mais pague mais impostos e quem ganha menos pague menos, é o desejo de todos.
O problema está em como se chegar a isso, já que, no Brasil, os ricos têm o poder do dinheiro para corromper instituições e pessoas - e dessa maneira, manter tudo como está, embora, da boca para fora, se mostrem críticos implacáveis do modelo atual.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sem futuro

É triste ver um país construído a partir das mais nobres intenções se transformar num Estado policial, que sempre prefere usar a força antes de qualquer outra opção, que só dá valor à vida de seus cidadãos e trata todos os outros com uma indiferença que se confunde com o ódio.
Israel representa hoje tudo o que de ruim existe num ser humano, desprezando uma história cultural riquíssima construída há não sei quantos séculos.
Seus governantes dão a impressão de serem um bando de malucos que ignoram qualquer princípio de humanidade e vivem a despejar uma raiva acumulada por anos e anos nos pobres homens e mulheres que tiveram a infelicidade de estarem no lugar errado e na hora errada.
A última demonstração da irracionalidade dos dirigentes israelenses é de um desatino tão grande que não merece nenhum comentário. As "desculpas" pelo ato insano são típicas de quem não tem como - e, principalmente, não quer -, se justificar.
Claro que Israel, com toda a força que acumulou desde que foi criado, tem condições de agir civilizadamente - e sair vencedor - em praticamente todos os confrontos que tiver de atuar. Mas prefere cultivar a violência, porque sabe que é o mais forte, porque despreza os vizinhos e porque seus atos são acobertados pelos Estados Unidos.
O que espanta nessa trajetória é a completa falta de análise dos israelenses sobre seu próprio futuro. Parece que ainda não caiu a ficha sobre a total inviabilidade desse modo de vida.
O que será de Israel daqui a 50 anos, por exemplo?
Mesmo na suposição de que o país ainda exista, em que ele terá se transformado?
Será esse o futuro que o deus dos hebreus deseja?