quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Chuvas de verão

Com as chuvas, o nível dos reservatórios volta ao normal e desaparece a possibilidade de ocorrer o "apagão" energético tão esperado por tucanos, pefelistas e que tais. Os "especialistas" que profetizaram com tanta certeza o caos somem dos noticiários.
Neste início de 2008, sobra para a oposição - políticos e grande imprensa - o "escândalo dos cartões". Mas o governo agiu de forma correta e antecipou-se à criação de uma CPI para investigar o assunto. Pegou os oposicionistas no contrapé. Se a tal CPI for criada, a base governista fica com a presidência e a relatoria. Ou seja, impede que a comissão se transforme num foco de infindável desgaste ao governo. E, como a situação pretende que a investigação retroceda ao governo FHC, é bem provável que os hoje indignados pronunciamentos dos próceres emplumados sejam trocados por um silêncio conveniente.
Afinal, quem deve, teme.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Transparência

O prefeito paulistano, Gilberto Kassab, bem que tenta melhorar, mas ainda escorrega muito no improviso. Num programa de rádio, ao vivo, respondia sobre se a prefeitura também usava o sistema de cartões corporativos.
- Não usamos, respondeu.
Um dos entrevistadores quis saber sua opinião sobre o famigerado caso dos cartões.
- É claro que houve abuso, disse. Para que não haja problemas é preciso transparência, sentenciou.
Outro entrevistador perguntou como era o sistema da prefeitura.
- Nós reembolsamos o servidor que gastou do seu bolso, respondeu Kassab.
O primeiro entrevistador quis saber como era o reembolso:
- É com nota fiscal?
- Sim, é com nota, disse o prefeito, que continuou a explicação com a ladainha de que "é preciso transparência" para se evitar problemas. Foi interrompido por um dos entrevistadores:
- Mas só se ficou sabendo dos gastos devido à publicação deles na internet, num site aberto ao público...
Kassab finalizou:
- É como eu disse, é preciso transparência.
E passou rapidamente a falar de outras coisas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Só para alguns

Depois que descobriu o Portal da Transparência, a Folha e congêneres têm se esbaldado em noticiar gastos de todo mundo ligado ao Executivo federal com os tais cartões corporativos.
Não seria uma beleza se os governos estaduais - e os municipais - também dispusessem de uma ferramenta como o portal?
Ou transparência é algo exclusivo da União?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Tribunal em festa

Deu na Folha: o presidente do Tribunal de Contas do Estado (São Paulo), Eduardo Bittencourt Carvalho, usa o órgão para pagar funcionários particulares - um nutricionista e um secretário particular. Ele é o mesmo que já foi denunciado pelo mesmo jornal por empregar cinco filhos em seu gabinete e é investigado pela suspeita de manter contas ilegais nos Estados Unidos.
Enquanto isso, as manchetes vão para o ministro das multidões - ops, do esporte -, Orlando Silva, que mandou o gerente de seu banco devolver os R$ 30 mil que gastou no ano passado com o cartão de crédito corporativo.
País estranho este Brasil.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

E dá-lhe Ariano!

A Escola de Samba Mancha Verde, de São Paulo, faz homenagem, em seu enredo deste ano, ao grande Ariano Suassuna.
Mistura indigesta. A Mancha Verde é braço da torcida de futebol homônina, que tantas confusões tem arranjado ao longo de sua existência.
Mestre Ariano é patrimônio cultural do Brasil. Dispensa apresentações e mais comentários.
Deve ter ficado no mínimo intrigado quando ouviu a letra do samba-enredo que o louva: (...) Avanti.../Mancha verde na avenida/no esplendor do Auto da Compadecida/iluminando a vida/em obras de um menino/que nasce pra história/revolução batiza/o filho do sertão/no Cariri a emoção/entra em cena a sedução/alma de palhaço/no picadeiro da ilusão (...).
Torcedor do Sport de Recife, Ariano certamente não sabe que a Mancha Verde é autora de obra musical extensa. A sua especialidade são os cantos de arquibancada. Um deles, por exemplo diz que "sou Palmeiras/a Mancha é guerreira/o meu time é vencedor/e a torcida é um terror/por isso eu canto.... /e dá-lhe dá-lhe porco/e dá-lhe dá-lhe porco/e dá-lhe dá-lhe porco".
Sem dúvida um belo exemplo do que é capaz a cultura popular. Mestre Ariano, se tivesse mais tempo, certamente poderia usá-lo como tema para um estudo mais profundo.

Mão pesada

O governo prepara um pacote para endurecer a lei do trânsito. Quer punir severamente os motoristas bêbados, os imprevidentes e os apressadinhos. São esses sujeitos os responsáveis por quase todos os acidentes e mortes nas avenidas e estradas.
Também pretende obrigar os motoqueiros a trafegarem na mesma faixa dos carros, proibindo a circulação entre eles, como se faz hoje. Tal absurdo, que tem causado, só na cidade de São Paulo, uma morte em média por dia - além de dezenas de feridos - existe graças à sabedoria de FHC. Isso mesmo, há dez anos, o Príncipe vetou o artigo 56 do Código de Trânsito Brasileiro, que impedia as motos de andarem entre faixas de rolamento. Graças a ele, os motoboys paulistanos se arriscam numa roleta-russa ininterrupta. São vítimas de uma legislação troncha, equivocada e leniente com toda sorte de abusos
Em paralelo a essa medidas, já vale o decreto que bane a venda de bebidas alcoólicas no comércio à beira das estradas federais. Quem desobedecê-lo está sujeito a punições rigorosas.
Neste Brasil sem educação, a lei tem de ser draconiana para pegar.