O jornalista Paulo Henrique Amorim revela que, depois de oito dias de estada em Zurique, sem agenda definida, o governador José Serra finalmente foi visto em público, inaugurando uma escola técnica em São Paulo. A seu pedido, a repórter Daniela Paixão perguntou sobre o que ele foi fazer na Suíça. Serra simplesmente virou as costas e foi embora.
Paulo Henrique Amorim acha estranho que os jornalões não tenham se interessado pelo sumiço de Serra.
De fato, um governador de Estado ficar vários dias fora do cargo sem que ninguém de sua assessoria soubesse informar os motivos, ou quando ele reassumiria as suas funções, é, no mínimo, estranho. E, por isso, assunto jornalístico.
Mas Serra mantém um relacionamento especial com a grande imprensa. As regras jornalísticas não se aplicam a ele. Quando, por obra do acaso, isso acontece, Serra recoloca tudo no lugar ligando para o dono da publicação. Invariavelmente, pede a cabeça de quem escreveu aquilo que o desagradou. Muitas vezes é atendido.
Mas, apesar do desinteresse dos jornais pelo paradeiro do governador, uma coisa é certa: ninguém notou a sua falta.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Faxina
Talvez o último dos românticos, Cilinho está de volta ao futebol depois de dois anos afastado devido a uma operação no coração. Seu novo trabalho não é moleza: dirigir as divisões de base do Corinthians, que estão passando, como todo o clube, por uma auditoria. A primeira providência foi acabar com o time B, que só tem trazido prejuízos financeiros - há até a suspeita de que ele era usado como caixa 2. Outra medida será acabar com a influência dos empresários na base. Segundo Cilinho, os jogadores têm de ser do clube e não dos agentes.
Conseguir isso é o primeiro passo para resgatar, pelo menos, um pouco da dignidade que o Corinthians perdeu ao longo desses anos.
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Conseguir isso é o primeiro passo para resgatar, pelo menos, um pouco da dignidade que o Corinthians perdeu ao longo desses anos.
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terça-feira, 6 de novembro de 2007
Noite de quem?
O canal fechado Telecine Premium exibiu noite dessas um filme creditado a Spike Lee chamado "A Última Noite". O que se passava na tela não correspondia ao que a sinopse do filme informava. Os atores eram outros, a história também.
Na verdade, o filme exibido era "A Prairie Home Companion", último trabalho do mestre Robert Altman, que no Brasil recebeu o título de "A Última Noite". Tem, para variar, elenco estelar, interpretações notáveis, roteiro inteligente e fluidez extraordinária.
Mas uma vez maldito, sempre maldito: depois de levar anos para ter o seu talento reconhecido em Hollywwod, Altman ainda é totalmente desconhecido pelos programadores das TVs do Brasil.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
Na verdade, o filme exibido era "A Prairie Home Companion", último trabalho do mestre Robert Altman, que no Brasil recebeu o título de "A Última Noite". Tem, para variar, elenco estelar, interpretações notáveis, roteiro inteligente e fluidez extraordinária.
Mas uma vez maldito, sempre maldito: depois de levar anos para ter o seu talento reconhecido em Hollywwod, Altman ainda é totalmente desconhecido pelos programadores das TVs do Brasil.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
Efeito Lula
Os bancos Itaú e Bradesco informaram resultados extraordinários referentes ao período janeiro a setembro. O Itaú viu dobrar seu lucro em relação ao mesmo período do ano passado.
Há poucos anos, empresários de todos os setores discutiam, temerosos, o que aconteceria se Lula e o PT chegassem ao poder.
Agora eles já devem saber o que aconteceu.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
Há poucos anos, empresários de todos os setores discutiam, temerosos, o que aconteceria se Lula e o PT chegassem ao poder.
Agora eles já devem saber o que aconteceu.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
domingo, 4 de novembro de 2007
Guerra fria tropical
A nova distração da grande imprensa é alertar o povo brasileiro contra a ameaça externa representada pela Venezuela de Hugo Chávez.
Dando eco a George W. Bush e seus porta-vozes, os jornalões nos avisam que Chávez está fomentando uma corrida armamentista na América do Sul depois de ter ido às compras na Rússia - aeronaves Sukhoi, fuzis, helicópteros e até submarinos.
O Brasil, assim, está seriamente ameaçado - assim como todos os outros sul-americanos.
Em perspectiva reduzida, é como se os anos 50 estivessem de volta - o mundo dividido entre nós, os democratas, e eles, os comunistas tirânicos sedentes de sangue.
Uma análise mais fria da situação talvez mostrasse que, de fato, as forças armadas do Brasil e das outras nações sul-americanas é que estão sucateadas, até mesmo pela dependência secular desses países com os Estados Unidos, que sempre foram muito bons em repassar aos governos amigos peças de ferro-velho de todos os tipos.
Chávez, ao exercer uma política externa independente, simplesmente tem procurado outros parceiros neste vasto mundo. A Rússia, queiram ou não, ainda é uma potência militar, com uma indústria desenvolvida e produtos com tecnologia de ponta.
O que dói mesmo para os americanos é que Chávez não gastou mais de US$ 4 bilhões com os brinquedos de guerra feitos por suas empresas. Preferiu um fornecedor mais confiável.
Bush e seus porta-vozes internos e externos não pensam de fato que Chávez tem alguma pretensão expansionista ou que pretenda levar sua revolução bolivariana para o resto do continente. Ele tem coisas mais importantes para resolver em casa.
Mas é parte do jogo político espalhar essas versões idiotas. Grande parte do público ainda acredita em mocinhos e bandidos.
A propósito: a foto de Hugo Chávez na capa da revista Época foi retocada para dar ao presidente venezuelano uma cara de mau. Esse exemplo de bom jornalismo já havia sido praticado por Veja em capas com João Pedro Stédile e Lula.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
Dando eco a George W. Bush e seus porta-vozes, os jornalões nos avisam que Chávez está fomentando uma corrida armamentista na América do Sul depois de ter ido às compras na Rússia - aeronaves Sukhoi, fuzis, helicópteros e até submarinos.
O Brasil, assim, está seriamente ameaçado - assim como todos os outros sul-americanos.
Em perspectiva reduzida, é como se os anos 50 estivessem de volta - o mundo dividido entre nós, os democratas, e eles, os comunistas tirânicos sedentes de sangue.
Uma análise mais fria da situação talvez mostrasse que, de fato, as forças armadas do Brasil e das outras nações sul-americanas é que estão sucateadas, até mesmo pela dependência secular desses países com os Estados Unidos, que sempre foram muito bons em repassar aos governos amigos peças de ferro-velho de todos os tipos.
Chávez, ao exercer uma política externa independente, simplesmente tem procurado outros parceiros neste vasto mundo. A Rússia, queiram ou não, ainda é uma potência militar, com uma indústria desenvolvida e produtos com tecnologia de ponta.
O que dói mesmo para os americanos é que Chávez não gastou mais de US$ 4 bilhões com os brinquedos de guerra feitos por suas empresas. Preferiu um fornecedor mais confiável.
Bush e seus porta-vozes internos e externos não pensam de fato que Chávez tem alguma pretensão expansionista ou que pretenda levar sua revolução bolivariana para o resto do continente. Ele tem coisas mais importantes para resolver em casa.
Mas é parte do jogo político espalhar essas versões idiotas. Grande parte do público ainda acredita em mocinhos e bandidos.
A propósito: a foto de Hugo Chávez na capa da revista Época foi retocada para dar ao presidente venezuelano uma cara de mau. Esse exemplo de bom jornalismo já havia sido praticado por Veja em capas com João Pedro Stédile e Lula.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
sábado, 3 de novembro de 2007
O pior e o melhor
As empresas brasileiras tiveram no primeiro semestre do ano a melhor rentabilidade da década, segundo levantamento da Serasa. O índice que mede o desempenho é o mais alto da série histórica iniciada em 2000. A explicação: melhora da atividade no mercado interno, favorecida pela expansão da massa salarial, ampliação do crédito e redução dos juros.
E isso apesar das queixas ininterruptas sobre carga tributária elevada, gargalos de infra-estrutura, encargos trabalhistas altos, excesso de burocracia etc etc.
Elas vivem o melhor dos mundos no pior dos mundos.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
E isso apesar das queixas ininterruptas sobre carga tributária elevada, gargalos de infra-estrutura, encargos trabalhistas altos, excesso de burocracia etc etc.
Elas vivem o melhor dos mundos no pior dos mundos.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Pra onde vai o dinheiro?
Em toda essa discussão sobre a CPMF uma coisa não fica clara: o que as empresas vão fazer se, por um desses acasos da vida, o imposto não for prorrogado. Vão aumentar os salários dos trabalhadores, contratar mais gente, investir em máquinas e equipamentos, baratear os produtos com o dinheiro extra que, dizem, irão ter? Ou vão simplesmente distribuir os lucros para os acionistas?
Pena que ninguém do governo ou de sua base de apoio faça essa pergunta e que ninguém da Fiesp ou assemelhadas a responda.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
Pena que ninguém do governo ou de sua base de apoio faça essa pergunta e que ninguém da Fiesp ou assemelhadas a responda.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Intruso na festa
Numa atitude de bom senso, o STJD negou a suspensão preventiva que o procurador Wagner Nascimento, a pedido do presidente do tribunal, Paulo Schmit, queria para o jogador chileno Valdívia, do Palmeiras. Ele esteve envolvido em dois lances mais ríspidos no jogo contra o Vasco da Gama, que acabaram virando, no jargão da chamada "crônica esportiva", agressões.
O chileno será agora julgado pelo tribunal como qualquer outro jogador envolvido nas confusões de uma peleja. Mas o fato de o presidente do tribunal, algumas horas depois de partida, ter dito que iria pedir a sua suspensão preventiva - como se a simples presença de Valdívia num jogo fosse ameaça à integridade física dos demais jogadores -, revelou uma face pouco vista no futebol brasileiro: a xenofobia.
Pois só isso pode explicar a extrema má-vontade com que grande parte dos "cronistas esportivos", dos árbitros, dos técnicos, e dos jogadores, vê a participação de Valdívia no Campeonato Brasileiro.
Chamado no seu país de El Mago pela habilidade que possui, Valdívia é, segundo as estatísticas, o maior driblador do torneio, o que, certamente, incomoda os adversários. Por isso, se tornou moda - exatamente como Robinho em seus tempos de Santos - usá-lo como saco de pancadas.
Na teoria, um jogador com essas características - talentoso, de raciocínio rápido, extremamente técnico, capaz de dar dribles desconcertantes e com um repertório de jogadas muito grande - seria excelente para o espetáculo. Mas, na visão dos "cronistas esportivos", ele é um "cai-cai", um "provocador", sujeito que só arranja confusão. Para esses especialistas em futebol, se Valdívia apanha é porque merece. Se revida, é porque é destemperado e não tem condições de jogar profissionalmente e, portanto, merece ser punido. Nada é dito sobre seu desempenho esportivo - e não é para isso que existem os tais especialistas?
Por essas e por outras, fica a impressão de que o chileno não é bem-vindo na festa do futebol brasileiro. Driblar, para nossos "cronistas" tem de ser exclusividade de garotos de pele escura e pernas finas. Nessa visão esteriotipada, quem tem um biotipo diferente é um reles intruso. Principalmente se falar uma língua em que tudo termina em "on" e detestar pagode.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
O chileno será agora julgado pelo tribunal como qualquer outro jogador envolvido nas confusões de uma peleja. Mas o fato de o presidente do tribunal, algumas horas depois de partida, ter dito que iria pedir a sua suspensão preventiva - como se a simples presença de Valdívia num jogo fosse ameaça à integridade física dos demais jogadores -, revelou uma face pouco vista no futebol brasileiro: a xenofobia.
Pois só isso pode explicar a extrema má-vontade com que grande parte dos "cronistas esportivos", dos árbitros, dos técnicos, e dos jogadores, vê a participação de Valdívia no Campeonato Brasileiro.
Chamado no seu país de El Mago pela habilidade que possui, Valdívia é, segundo as estatísticas, o maior driblador do torneio, o que, certamente, incomoda os adversários. Por isso, se tornou moda - exatamente como Robinho em seus tempos de Santos - usá-lo como saco de pancadas.
Na teoria, um jogador com essas características - talentoso, de raciocínio rápido, extremamente técnico, capaz de dar dribles desconcertantes e com um repertório de jogadas muito grande - seria excelente para o espetáculo. Mas, na visão dos "cronistas esportivos", ele é um "cai-cai", um "provocador", sujeito que só arranja confusão. Para esses especialistas em futebol, se Valdívia apanha é porque merece. Se revida, é porque é destemperado e não tem condições de jogar profissionalmente e, portanto, merece ser punido. Nada é dito sobre seu desempenho esportivo - e não é para isso que existem os tais especialistas?
Por essas e por outras, fica a impressão de que o chileno não é bem-vindo na festa do futebol brasileiro. Driblar, para nossos "cronistas" tem de ser exclusividade de garotos de pele escura e pernas finas. Nessa visão esteriotipada, quem tem um biotipo diferente é um reles intruso. Principalmente se falar uma língua em que tudo termina em "on" e detestar pagode.
As histórias fictícias que poderiam ser reais estão em Contos do Motta
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