Os clubes brasileiros andam mal das pernas faz tempo. Vivem da venda de seus talentos, da cota da televisão e de patrocínios pescados com extrema dificuldade. O dinheiro da arrecadação é quase nada no total. Os gastos com as folhas salariais de jogadores e comissão técnica são cada vez maiores. Sem contar o que vai na parte social.
Iniciativas criativas para driblar a crise permanente são muito raras. Uma delas foi anunciada pela Sociedade Esportiva Palmeiras - uma "cesta de atletas", na qual investidores compram porcentagens dos direitos federativos de jogadores escolhidos, visando um lucro numa negociação futura.
Para o clube, a "cesta" é muito interessante porque adianta receitas. Para o investidor, pode ser um excelente negócio - no próprio Palmeiras, há caso de jogadores que foram negociados com lucro de cerca de 5.000%.
É claro que o projeto tem críticos - alguns dentro do próprio clube. Os concorrentes - ou adversários - se calam, por enquanto. Aguardam os resultados.
Mas o fato é que sem esse tipo de iniciativa o futebol brasileiro corre o risco de ficar cada vez mais refém da televisão e de alguns poucos "empresários" que souberam muito bem se aproveitar da inércia dos cartolas para impor seu estilo polêmico de negócios.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
terça-feira, 5 de junho de 2007
Golden boy
Revelações de Kaká à revista Fanity Fair:
"Minha mulher e eu escolhemos chegar virgens ao casamento. A Bíblia ensina que o verdadeiro amor se alcança apenas com o casamento, com a troca de sangue, o que a mulher perde com a virgindade. Para nós, a primeira noite foi belíssima."
"Não foi fácil chegar ao casamento sem nunca ter estado com uma mulher. Com Caroline, nos beijávamos e o desejo existia. Mas sempre soubemos parar. Se hoje nossa vida é tão bela, acho que é porque soubemos esperar."
"Desde que vim para a Itália nunca fui a uma boate, salvo às festas do Milan, e sempre com minha mulher."
"Entre nós, quando ela ainda estava no Brasil, havia um pacto: podíamos sair com os amigos, mas à meia-noite voltávamos para casa e nos ligávamos. Caroline e eu fizemos muitos sacrifícios".
O meia-atacante do Milan pediu para não jogar a Copa América, sob a alegação de que precisava de férias. Pelas suas declarações, mais do que necessárias.
"Minha mulher e eu escolhemos chegar virgens ao casamento. A Bíblia ensina que o verdadeiro amor se alcança apenas com o casamento, com a troca de sangue, o que a mulher perde com a virgindade. Para nós, a primeira noite foi belíssima."
"Não foi fácil chegar ao casamento sem nunca ter estado com uma mulher. Com Caroline, nos beijávamos e o desejo existia. Mas sempre soubemos parar. Se hoje nossa vida é tão bela, acho que é porque soubemos esperar."
"Desde que vim para a Itália nunca fui a uma boate, salvo às festas do Milan, e sempre com minha mulher."
"Entre nós, quando ela ainda estava no Brasil, havia um pacto: podíamos sair com os amigos, mas à meia-noite voltávamos para casa e nos ligávamos. Caroline e eu fizemos muitos sacrifícios".
O meia-atacante do Milan pediu para não jogar a Copa América, sob a alegação de que precisava de férias. Pelas suas declarações, mais do que necessárias.
À imagem do mestre
A seleção de Dunga tem uma virtude: ela redime todos os defeitos da equipe comandada por Carlos Alberto Parreira. Já há quem diga que será uma proeza que tal bando passe pela primeira fase da Copa América - embora muitos torçam para que isso aconteça e a "era Dunga" seja abreviada.
Dunga pode não ser o responsável pelo futebol lastimável que o time vem exibindo. Mas alguma influência ele deve ter - os atletas estão atuando como ele costumava se exibir, sem carisma e sem talento.
Dunga pode não ser o responsável pelo futebol lastimável que o time vem exibindo. Mas alguma influência ele deve ter - os atletas estão atuando como ele costumava se exibir, sem carisma e sem talento.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Sr. Brasil
A Rede Globo mostra, a partir do dia 12, a microssérie A Pedra do Reino. É uma adaptação da obra mais importante de Ariano Suassuna, em homenagem ao aniversário de seus 80 anos. A direção é de Luiz Fernando Carvalho. O livro - Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta - tem mais de 700 páginas e é magistral - uma mistura sem pudores de vários gêneros literários, uma mostra despretenciosa da mais alta erudição e, principalmente, um canto de amor ao Brasil.
Suassuna ficou famoso pelo seu Auto da Compadecida, talvez a peça teatral mais encenada no país, que depois virou dois filmes - o último condensado da minissérie dirigida por Guel Arraes. E, posteriormente, pela sua atuação permanente e radical em pról da cultura brasileira, com suas famosas aulas-espetáculo pelo Brasil inteiro, reproduzidas pela televisão.
É de se esperar que as homenagens aos seus 80 anos se multipliquem. Afinal, este é um país onde figuras tão grandes se contam nos dedos. Mas talvez a maior de todas as honrarias a esse extraordinário brasileiro seja simplesmente o fato de que a sua obra se tornou parte do povo, é reconhecida por pessoas das mais variadas condições e de todos os lugares. Provavelmente, nada agrada tanto ao mestre do que saber que é amado e compreendido muito mais pelo Brasil real do que pelo oficial.
Suassuna ficou famoso pelo seu Auto da Compadecida, talvez a peça teatral mais encenada no país, que depois virou dois filmes - o último condensado da minissérie dirigida por Guel Arraes. E, posteriormente, pela sua atuação permanente e radical em pról da cultura brasileira, com suas famosas aulas-espetáculo pelo Brasil inteiro, reproduzidas pela televisão.
É de se esperar que as homenagens aos seus 80 anos se multipliquem. Afinal, este é um país onde figuras tão grandes se contam nos dedos. Mas talvez a maior de todas as honrarias a esse extraordinário brasileiro seja simplesmente o fato de que a sua obra se tornou parte do povo, é reconhecida por pessoas das mais variadas condições e de todos os lugares. Provavelmente, nada agrada tanto ao mestre do que saber que é amado e compreendido muito mais pelo Brasil real do que pelo oficial.
domingo, 3 de junho de 2007
A voz do morto
Recebido por cerca de 80 entusiasmados correligionários, ele está de volta para, como disse, percorrer o país como um "soldado" de seu seu partido. Aclamado por gritos de "prefeito", Geraldo não perdeu tempo e, instado por microfones, câmeras e gravadores, mostrou que os seis meses em que esteve nos Estados Unidos não foram em vão.
Com toda essa nova experiência adquirida em árduas e consistentes aulas em Harvard - a vida lá seria mais difícil se não fosse a companhia inseparável da amada Lu -, Geraldo pontificou: "Meio ano se passou e nada foi feito." Claro que se referia ao governo Lula, esse que poderia ter sido o dele, se não o quisessem dezenas de milhões de brasileiros - pobres e desinformados, em sua maioria.
Aos ouvintes desse raro e inesquecível momento, Geraldo afirmou ainda que vai levar sua voz aos mais distantes rincões deste país para fortalecer a oposição ao lulismo. Humilde, disse que é cedo para pretender ocupar o mais alto cargo da hierarquia tucana e tampouco quer falar das eleições municipais do próximo ano. Sábio, justificou: "Tudo tem seu tempo. Eleição é em ano par."
E assim Geraldo constrói seu caminho entre os grandes tucanos. Logo, logo, estará à altura de FHC, dando conselhos e recitando bordões para seletas platéias. Competência é tudo.
Com toda essa nova experiência adquirida em árduas e consistentes aulas em Harvard - a vida lá seria mais difícil se não fosse a companhia inseparável da amada Lu -, Geraldo pontificou: "Meio ano se passou e nada foi feito." Claro que se referia ao governo Lula, esse que poderia ter sido o dele, se não o quisessem dezenas de milhões de brasileiros - pobres e desinformados, em sua maioria.
Aos ouvintes desse raro e inesquecível momento, Geraldo afirmou ainda que vai levar sua voz aos mais distantes rincões deste país para fortalecer a oposição ao lulismo. Humilde, disse que é cedo para pretender ocupar o mais alto cargo da hierarquia tucana e tampouco quer falar das eleições municipais do próximo ano. Sábio, justificou: "Tudo tem seu tempo. Eleição é em ano par."
E assim Geraldo constrói seu caminho entre os grandes tucanos. Logo, logo, estará à altura de FHC, dando conselhos e recitando bordões para seletas platéias. Competência é tudo.
sábado, 2 de junho de 2007
Verborrragia
Situação e oposição caminharam juntas no repúdio às declarações de Hugo Chávez sobre o Senado brasileiro. Com a auto-estima tão baixa, tal reação era previsível.
A pergunta é: por que os nossos parlamentares não mostram o mesmo voluntarismo na hora de votar projetos vitais para o país?
Será que só o espírito de preservação é que os torna ativos?
E.T.: o costureiro Clodovil Hernandes protagonizou outra situação que não só o rebaixa ainda mais como deputado, como atinge toda a instiuição, ao tentar dar uma "carteirada" para ficar numa poltrona a seu gosto num vôo doméstico. E todos dão risada.
A pergunta é: por que os nossos parlamentares não mostram o mesmo voluntarismo na hora de votar projetos vitais para o país?
Será que só o espírito de preservação é que os torna ativos?
E.T.: o costureiro Clodovil Hernandes protagonizou outra situação que não só o rebaixa ainda mais como deputado, como atinge toda a instiuição, ao tentar dar uma "carteirada" para ficar numa poltrona a seu gosto num vôo doméstico. E todos dão risada.
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Do contra
O país mais poderoso do mundo é um dos menos pacíficos, mostrou o Índice Global de Paz, criado pelo grupo The Economist, que publica a revista homônima. Entre 112 nações, os Estados Unidos ocupam a 96a posição, espremido entre Iêmen e Irã. O Brasil está na posição 83 do ranking, que traz a Noruega como o lugar mais pacífico do mundo e o Iraque como o menos.
Pesquisas como essa podem não ter muito valor neste universo competitivo em que as nações estão imersas. Afinal, pouco importa se os Estados Unidos não são o paraíso que vendem para todos se, na realidade, eles é que mandam no pedaço. Mas pelo menos esses estudos servem para quebrar os argumentos daqueles que seguem fielmente a cartilha de Washington e não sabem fazer outra coisa a não ser apregoar virtudes de um modelo cheio de imperfeições e disseminador de injustiças.
Gore Vidal, um dos ícones da literatura americana, no alto de seus 81 anos bem vividos, é figura insuspeita para falar sobre esse Estados Unidos da era Bush. Para ele, a direita, na prática, deu um golpe de Estado depois do 11 de setembro e a república foi substituída por um império.
O escritor já acreditou que os Estados Unidos seriam um país em que as pessoas teriam orgulho em viver. Depois da Segunda Guerra Mundial, diz, "havia uma explosão de energia em todas as artes e pensei que os EUA iriam finalmente desenvolver uma civilização, mas não o fizemos - começou a guerra na Coréia e a partir dela nunca deixamos de estar em guerra e isso esfriou minha sinceridade em relação ao otimismo".
Sua consciência sobre o que são os Estados Unidos hoje chega a chocar pela sinceridade: "Abordo a crise com que nos defrontamos - que somos o país mais odiado no mundo - e sou um dos grandes explicadores do que fizemos. Outros escritores não são capazes disso, porque nada sabem sobre a história dos EUA, muito menos sobre o Islã, Saladino, Gengis Khan, Mao Zedong."
Há quem critique Vidal pelo seu antiamericanismo explícito. Mas, diante de tanta unanimidade sobre as benesses que essa poderosa nação espalhou pelo mundo, é muito bom ouvir sua voz desafinada.
Pesquisas como essa podem não ter muito valor neste universo competitivo em que as nações estão imersas. Afinal, pouco importa se os Estados Unidos não são o paraíso que vendem para todos se, na realidade, eles é que mandam no pedaço. Mas pelo menos esses estudos servem para quebrar os argumentos daqueles que seguem fielmente a cartilha de Washington e não sabem fazer outra coisa a não ser apregoar virtudes de um modelo cheio de imperfeições e disseminador de injustiças.
Gore Vidal, um dos ícones da literatura americana, no alto de seus 81 anos bem vividos, é figura insuspeita para falar sobre esse Estados Unidos da era Bush. Para ele, a direita, na prática, deu um golpe de Estado depois do 11 de setembro e a república foi substituída por um império.
O escritor já acreditou que os Estados Unidos seriam um país em que as pessoas teriam orgulho em viver. Depois da Segunda Guerra Mundial, diz, "havia uma explosão de energia em todas as artes e pensei que os EUA iriam finalmente desenvolver uma civilização, mas não o fizemos - começou a guerra na Coréia e a partir dela nunca deixamos de estar em guerra e isso esfriou minha sinceridade em relação ao otimismo".
Sua consciência sobre o que são os Estados Unidos hoje chega a chocar pela sinceridade: "Abordo a crise com que nos defrontamos - que somos o país mais odiado no mundo - e sou um dos grandes explicadores do que fizemos. Outros escritores não são capazes disso, porque nada sabem sobre a história dos EUA, muito menos sobre o Islã, Saladino, Gengis Khan, Mao Zedong."
Há quem critique Vidal pelo seu antiamericanismo explícito. Mas, diante de tanta unanimidade sobre as benesses que essa poderosa nação espalhou pelo mundo, é muito bom ouvir sua voz desafinada.
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