segunda-feira, 7 de maio de 2007

Esquerda, volver

Depois de aceitar com entusiasmo a filiação da rainha do bumbum, a cantora e atriz de filmes pornôs Gretchen, o PPS resolveu promover um encontro para discutir a nova esquerda brasileira. Para quem não sabe, o PPS é o auto-denominado sucessor do venerando Partido Comunista Brasileiro, o conhecido Partidão. O encontro leva o nome de um dos mais insígnes membros do PCB - o mais famoso foi, sem dúvida, Luiz Carlos Prestes -, o historiador Caio Prado Júnior.
Se vivo estivesse, ele faria as honras da casa a não menos ilustres personalidades, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos e o ex-terrorista/jornalista e atual deputado verde Fernando Gabeira.
Difícil é imaginar Prestes e Caio Prado Júnior concordando com alguma das teses que tais personagens irão defender no encontro, aberto, segundo o presidente nacional do PPS, Roberto (Bob) Freire, a todos, menos aos Democratas, ex-pefelistas, que, para ele, nunca empunharam nenhuma bandeira esquerdista. Ingrato, esqueceu-se dos tantos momentos que passaram juntos, na mesma trincheira, os neo-comunistas e os neo-liberais.
Bob Freire, que na última eleição desistiu de concorrer a qualquer cargo público, talvez por se julgar já consagrado pelas urnas, pretende com o encontro descobrir o norte para a esquerda brasileira.
Na sua sabedoria, deve ter julgado que tal caminho só pode ser o extremo oposto do que for proposto pelos corações e mentes de seus convidados.

domingo, 6 de maio de 2007

Ufa, acabou!

O torneio início patrocinado pela Federação Paulista de Futebol, também chamado de campeonato paulista, acabou da mesma forma como se iniciou e foi disputado - com erros grosseiros de arbitragem a favor do mais forte. A partida final não teve novidades - todos já sabiam que o Santos ganharia e levaria o título. Afinal, o adversário era o São Caetano, especialista em negar fogo no instante decisivo.
Também foram registradas - como é usual - cenas explícitas de exibicionismo do técnico Wanderley Luxemburgo, que faz questão de sepultar a elegância do terno e gravata numa torrente de palavrões os mais escabrosos - afinal, como dizem os comentaristas esportivos, ele é especialista em motivar seus atletas.
Haja motivação!

sábado, 5 de maio de 2007

O sonho da união

O cambaleante Mercosul pode tomar prumo com a instalação esta semana de seu Parlamento, segundo o estabelecido em dezembro. Claro que o passo ainda será trôpego nesta primeira etapa, mas uma dose extra de política pode ajudar a endireitar a discussão econômica - e é ela que vale mesmo para que a tão propalada integração ocorra.
As dificuldades do Mercosul são naturais. Refletem apenas o que se passa na América do Sul, local do mundo onde as instituições republicanas ainda são imaturas - e, por conseqüência, vive-se às vésperas da civilização.
Mas o simples fato de as nações sul-americanas expressarem o desejo de se verem mais unidas - econômica, social, cultural e politicamente - já é um extraordinário avanço no sentido de se cumprir essa meta.
Talvez o sonho de Bolívar um dia se concretize.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Pobre pensador

A indústria da comunicação tem criado alguns personagens inacreditáveis. Um deles, que freqüenta com incrível facilidade as páginas dos mais importantes jornais do país, é o economista Fábio Giambiagi, que pertence aos quadros do Ipea.
Pois bem, dia desses, Giambiagi escreveu um artigo intitulado O Brasil e a "cultura do coitado" para o Valor Econômico. É um exemplo acabado da indigência - ou mau caratismo - de certa parte da "inteligência" brasileira.
Giambiagi diz que é preciso substituir a "visão paternalista do governo, ainda fortemente impregnada nos corações e mentes, por uma atitude mais parecida com a que vigora nos países que mais crescem no mundo". A que país aspiramos? - pergunta, para responder: "Com a Constituição de 1988, na prática optamos pelo modelo de 'dar o peixe'. Aos poucos, porém deveríamos migrar para o modelo de 'ensinar a pescar'. A 'migração' consistiria em deixar de privilegiar políticas baseadas na distribuição de renda através de um sistema puro e simples de transferências, por outras que enfatizem uma maior igualdade de oportunidades". Ele exemplifica: "O governo deveria dar a cada indivíduo, essencialmente, saúde e educação básicas, além de uma Justiça que funcione (...) Tendo recebido isso, cada cidadão teria de abrir o seu próprio caminho."
Simples, não? Talvez sim para o eminente economista. Mas não para os milhões de excluídos que não têm emprego, nem comida, nem casa, nem transporte, nem sequer roupa, mas que, segundo ele, com saúde, educação e Justiça que funcione estariam prontos para enfrentar, em igualdade de condições, seus patrícios bem nascidos - e muito mais bem nutridos.
É preciso ensinar a pescar, pontifica o eminente economista, sem explicar como esse chavão pode virar realidade sem que antes se distribua o peixe - que evita que o pescador morra de fome.
Já dizer que os "países que mais crescem no mundo" desamparam seus cidadãos não é apenas desonestidade intelectual. É ignorância plena.
Giambiagi pode ser um eminente economista. Mas é um péssimo exemplo de intelectual.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O medo do apagão

O Brasil vive um paradoxo na área energética. Com vocação natural para a energia hidrelétrica, pode ter de apelar para outros tipos de geração, mais poluentes, como a térmica, para garantir o abastecimento nos próximos anos. Isso porque vários projetos estão atrasados graças a problemas de licenciamento ambiental. Os lobbies são inúmeros e vêm de todos os lados. Mas a questão maior é que não só o bom-senso deve prevalecer nessa questão - e ele indica que está em jogo o futuro da nação -, como ela deve ser julgada, antes de mais nada, de acordo com os interesses do país. De certo é que nunca todos os lados ficam satisfeitos - é claro que há ganhadores e perdedores.
O presidente Lula apelou a todos para que haja o destravamento rápido dos impedimentos ambientais. E nesse todos incluiu até o papa. A ênfase de seu discurso foi tal que ele chegou a dizer que até a energia nuclear será bem-vinda no caso de a solução mais óbvia não for possível.
Seu apelo faz mais que sentido. Afinal, quem não se lembra dos anos do apagão e suas terríveis conseqüências para o desenvolvimento do país?

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Tempero

A Fifa acena com a possibilidade de estudar algumas mudanças no football. A mais importante seria o jogo ser arbitrado por cinco pessoas, um juiz e quatro auxiliares (os antigos bandeirinhas).
Mas como tudo o que se relaciona com a Fifa significa tempo (e dinheiro), a modificação teria de ser testada em torneios de categorias menores. Depois, uma comissão avaliaria a eficácia. Ou seja, é algo para daqui a alguns anos.
Seja como for, é ótimo que a Fifa esteja cogitando alterações na regra do jogo. Afinal, o football, por mais que seja importante, não pode se dar ao luxo de se julgar perfeito.
Alguns temperos serviriam para deixar o prato ainda mais apetitoso.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Novos no pedaço

Além dos tradicionais shows com cantores populares, CUT e Força Sindical inovam na comemoração do Dia do Trabalho deste ano. A defesa do emprego e do crescimento econômico ainda consta da pauta, mas fica em segundo plano. A estrela passa a ser a preocupação com o meio ambiente.
Organizações com milhões de filiados, as duas centrais sindicais dessa forma somam-se a milhares de ONGs espalhadas pelo mundo inteiro.
Neófitos no assunto, os sindicalistas têm um longo caminho a percorrer.

Tribuna tucana

O jornalista Paulo Markun será o novo presidente da Fundação Padre Anchieta, à qual a TV Cultura é subordinada. Markun apresenta e dirige o programa de entrevistas Roda Viva, que com o passar do tempo se transformou numa tribuna tucana. Markun era o candidato do governador José Serra para a presidência da fundação. Serra é candidato à presidência da República em 2010 e é um expoente tucano.
A Cultura definitivamente deixa de ser uma rede pública de televisão.